Chipre à cabeça de pequeno grupo dentro da UE que receia "mau exemplo"

Bruxelas, 14 Fev (Lusa) - O Chipre é o país da União Europeia que mais se opõe à proclamação unilateral de independência do Kosovo, mas outros Estados-membros também a braços com movimentos separatistas regionais encaram igualmente com cepticismo o que receiam ser um "mau exemplo".

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Além de Chipre, também Roménia, Espanha, Grécia, Bulgária e Eslováquia, Estados-membros que se confrontam a nível interno, em maior ou menor escala, com movimentos independentistas ou incómodas "minorias", já anunciaram que, por uma questão de direito internacional, não podem reconhecer a declaração de Pristina, prevista para domingo.

Chipre é o país que desde o início mais se opôs ao processo de independência do Kosovo, tendo mesmo sido o único dos 27 a abster-se recentemente quando a UE deu a "luz verde" legal ao envio de uma missão civil para o Kosovo, decidida na Cimeira de Dezembro passado durante a presidência portuguesa da UE.

A razão é simples: Nicósia teme que Pristina seja um precedente para a independência por parte da República turca do Chipre do Norte (já auto-proclamada, mas apenas reconhecida pela Turquia) - um argumento que é de resto acenado frequentemente por Moscovo, o mais forte aliado da Sérvia na oposição à independência do Kosovo.

A questão cipriota é, de resto, uma das preocupações da Grécia, que tem boas relações com a Sérvia, tem no seu território cerca de um milhão de albaneses, e receia também um "efeito dominó" na vizinha Macedónia, designadamente entre a minoria albanesa.

Em Espanha, a principal preocupação prende-se com os movimentos separatistas no País Basco e na Catalunha, na Roménia e Eslováquia são as vastas "minorias", sobretudo de húngaros, que poderiam sentir-se "inspirados" pelos kosovares de origem albanesa, na Bulgária, sobretudo a (grande) minoria turca, de cerca de 800.000 muçulmanos, e na Grécia

Madrid, já esta semana, reafirmou que "não aprecia declarações unilaterais de independência", ainda que ressalvando que a situação nos Balcãs é muito "específica" e "não transponível para qualquer outro cenário na UE e, muito menos, para a Espanha".

Apesar das sérias reservas destes país, a grande maioria dos Estados-membros da UE - impulsionados pelas principais potências e também pelos Estados Unidos da América - prepararam-se para reconhecer, individualmente, a independência do Kosovo, frisando que se trata de uma situação sem paralelo e "sui generis".

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