Ciclone Gezani causou 20 mortos em Madagáscar e pode alcançar Moçambique
O ciclone tropical Gezani atingiu a principal cidade portuária de Madagáscar, provocando pelo menos 20 mortos e destruindo habitações, informaram hoje as autoridades malgaxes, podendo alcançar na sexta-feira a costa de Moçambique, país fustigado pelas cheias.
A velocidade dos ventos ultrapassou os 250 quilómetros por hora (km/h) e o serviço meteorológico de Madagáscar emitiu alertas vermelhos para várias regiões, alertando para possíveis inundações e deslizamentos de terra, à medida que o Gezani se movia por este país de 31 milhões de habitantes, em grande parte pobres.
Madagáscar, atingido por outro ciclone mortal menos de duas semanas antes, é especialmente vulnerável aos ciclones que sopram do Oceano Índico.
O Gabinete Nacional de Gestão de Riscos e Desastres disse que pelo menos 20 pessoas morreram com o colapso de edifícios e pelo 19 ficaram feridas quando o Gezani atingiu a costa na terça-feira à noite na cidade oriental de Toamasina.
Toamasna, o principal porto da ilha, com cerca de 300.000 habitantes, foi o mais afetado pelo ciclone e sofreu danos graves, disseram os residentes à agência Associated Press (AP).
O Presidente de Madagáscar, Michael Randrianirina, que assumiu o poder num golpe militar em outubro, visitou Toamasina para avaliar os danos e se reunir com os residentes, de acordo com vídeos publicados na página do Facebook do gabinete do Presidente.
Os vídeos mostravam bairros inundados, casas e lojas com janelas e telhados destruídos, e árvores e outros detritos espalhados pelas ruas.
O Gezani atravessou hoje Madagáscar de leste a oeste, enfraquecendo para uma tempestade tropical à medida que se movia para o interior, de acordo com o serviço meteorológico nacional.
A tempestade passou a cerca de 100 Km/h a norte da capital, Antananarivo, que é uma das regiões sob alerta vermelho para possíveis inundações.
Face à aproximação do Gezani à costa de Moçambique, este país está em alerta, sendo previstos ventos até 140 quilómetros por hora e chuvas intensas, que poderão afetar cerca de 1,1 milhão de pessoas.
Em Moçambique, as cheias de janeiro causaram 27 mortos e afetaram 724.131 pessoas, de acordo com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Há ainda registo de 147 feridos e nove desaparecidos e 3.556 casas parcialmente destruídas, 428 totalmente destruídas e 1.66.895 inundadas, além de 227 unidades sanitárias e 299 escolas, 14 pontes e 3.783 quilómetros de estrada afetadas.