Cidade da Praia já atingiu pico de 46% de energia renovável
Cidade da Praia, 20 out (Lusa) - A Cidade da Praia atingiu quarta-feira um pico de 46 por cento na taxa de penetração de energias renováveis na rede de distribuição de eletricidade, depois de entrar em funcionamento um novo parque eólico, hoje oficialmente inaugurado.
A informação foi avançada pelo primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, na cerimónia oficial de inauguração, hoje ao fim da tarde, do parque eólico no Monte de São Filipe, norte da Cidade da Praia, em que as 11 turbinas já estão há vários dias a injetar na rede energética da capital mais 10 megawatts (mw) de potência.
O novo parque eólico junta-se à central foto voltaica do Palmarejo, também na Cidade da Praia, que foi inaugurada em novembro de 2010, que tem cinco megawatts de potência instalada, permitindo a penetração de até 46 por cento de energia limpa na distribuição de eletricidade à capital cabo-verdiana.
A obra esteve a cargo da Cabeólica, empresa mista resultante de uma parceria público privada entre Estado de Cabo Verde, Electra, InfraCO, a AFC e FinnFund, fruto de um investimento de 56 milhões de euros, em que 45 milhões são oriundos dos bancos Europeu de Investimentos (BEI) e Africano de Desenvolvimento (BAD).
Na sua intervenção, José Maria Neves salientou ter-se dado "mais um passo" na implantação de energias renováveis no arquipélago, que deverá ter, no princípio do próximo ano, 25 por cento do total de eletricidade a partir de fontes limpas, metade da meta estabelecida para 2020, ano em que Cabo Verde pretende atingir os 50 por cento.
"O nosso país tem agora o maior parque eólico em operação na sub-região e uma dos maiores parques foto voltaicos de África. Estamos na vanguarda da economia verde e de nos transformarmos num dos países atrativos para os investimentos em energia alternativa", afirmou.
"É essencial reforçarmos a autonomia estratégica em termos de combustíveis fósseis. A única alternativa é apostarmos nas energias que têm como base os recursos nacionais: vento, sol e mar", defendeu o chefe do Executivo cabo-verdiano, lembrando as cinco mil horas/ano de vento, as três mil de sol e os 750 mil quilómetros quadrados de área marítima.
A opção pelas renováveis, acrescentou, vão ter um impacte "extraordinariamente grande" na economia cabo-verdiana, permitindo a poupança de milhares de toneladas de combustíveis e de milhões de euros em importações, bem como a menor emissão de gases.
Segundo José Maria Neves, desde que as duas centrais foto voltaicas entraram em funcionamento - a primeira foi na ilha do Sal, em outubro de 2010 -, além da produção de quatro por cento do total da energia produzida, permitiu evitar a emissão anual de 13 mil toneladas de dióxido de carbono.
"Estamos a `descarbonizar` a nossa economia. É um processo com etapas, mas lá chegaremos: à `descarbonização` de Cabo Verde", concluiu.
Até ao fim do ano, disse relações pública da Cabeólica, Ana Monteiro, serão inaugurados mais três parques eólicos em outras tantas ilhas - São Vicente, Boavista e Sal -, que, na sua totalidade, juntando ao de Santiago, irão garantir uma potência instalada de cerca de 25,5 mw.