Cidade de Luanda festeja quarta-feira 430º aniversário da sua criação
A cidade de Luanda assinala quarta-feira o 430º aniversário da sua fundação com o problema do lixo aparentemente controlado, mas o trânsito caótico e os cortes no abastecimento de luz e água continuam a ser um problema diário.
A capital angolana está notoriamente mais limpa, na sequência de um esforço das autoridades para melhorar o sistema de recolha de lixo, mas esta melhoria não foi acompanhada por idêntica evolução nos restantes problemas que afectam a vida dos seus quatro milhões de habitantes.
O trânsito em Luanda está cada dia mais complicado, sendo praticamente impossível circular na cidade sem ser envolvido num gigantesco congestionamento, e o fornecimento de água e de electricidade continua a ser `intermitente`.
Apesar das repetidas promessas de melhorias, a situação é especialmente grave no que se refere à energia eléctrica, sendo frequentes os cortes gerais (que deixam toda a cidade sem luz durante algumas horas) e as restrições (que suspendem por quase todo o dia o fornecimento em zonas específicas da cidade).
Isto explica que um dos sons mais ouvidos na cidade seja o ruído dos milhares de geradores que garantem o funcionamento das empresas e dos aparelhos domésticos.
Para um habitante de Luanda, os reservatórios de água e os geradores são essenciais para a vida quotidiana.
A situação era bem diferente em 1575, quando Paulo Dias de Novais, primeiro governador e Capitão-Mor das Conquistas do Reino de Angola, desembarcou na ilha de Luanda com um grupo de cerca de 700 pessoas.
Nessa altura, já tinha passado quase um século desde que o navegador português Diogo Cão descobrira e assinalara com os seus padrões toda a costa atlântica de Angola.
Poucos meses depois da sua chegada, Paulo Dias de Novais chegou à conclusão de que a ilha não era o local mais apropriado para se instalar, pelo que fundou na outra margem da actual baía a vila de S. Paulo de Luanda, que ascendeu à categoria de cidade a 25 de Janeiro de 1576.
A sua localização privilegiada suscitou o interesse dos holandeses, que iniciaram as primeiras investidas sobre Luanda em 1624, altura em que a cidade teria cerca de um milhar de habitantes.
A situação agravou-se a 24 de Agosto de 1641, quando surgiu na Baía de Luanda a Grande Armada Holandesa, comandada pelo almirante Pedro Houtbeen, que conseguiu tomar a cidade.
Em resposta, o rei D. João IV encarregou Salvador Correia de Sá e Benevides de recuperar a cidade para a coroa portuguesa.
Com uma frota de 12 navios e mais de 1.200 homens armados, Salvador Correia de Sá desembarcou em Luanda a 15 de Agosto de 1648, tendo conseguido reconquistá-la depois de dominar um inimigo que tinha mais do dobro dos seus efectivos militares.
O início deste novo período da história de Luanda coincide com a alteração do seu nome para S. Paulo da Assunção de Luanda, numa alusão ao facto de o desembarque das forças portuguesas ter ocorrido no dia da Assunção da Virgem, que passou também a figurar no brasão da cidade.
O crescimento urbano de Luanda ocorre a partir de meados do século XIX, numa altura em que a capital angolana teria cerca de 10 mil habitantes.
Desde essa altura, a cidade conheceu um crescimento regular, chegando aos 300 mil habitantes em finais da década de 50, já no século XX, altura em que ocorre uma nova explosão do crescimento urbano.
Nos anos que se seguiram à independência de Angola, proclamada a 11 de Novembro de 1975, viveu-se um período de estagnação da área urbana de Luanda, ao contrário do que sucedeu nas zonas não urbanizadas da capital angolana, que cresceram para mais do triplo da dimensão que tinham em 1974.
Este crescimento, devido à chegada à cidade de um grande número de habitantes das zonas rurais do país, que ali procuravam melhores condições de vida, acabou por gerar a maior parte dos problemas que a cidade ainda hoje enfrenta.