Cientista norte-americano afirma que os computadores podem exprimir emoções

Porto, 12 Jun (Lusa) - Os computadores poderão prever um determinado comportamento humano através da introdução de dados sociais e emocionais das pessoas, defendeu hoje, no Porto, um especialista nosrte-americano em inteligência artificial.

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Andrew Ortony, professor da Northwestern University, em Chicago, considerou "em princípio" ser possível colocar um computador a prever emoções, através da introdução de dados sobre reacções dos humanos a determinadas situações, nomeadamente a felicidade.

"Podemos prever emoções se soubermos as suas causas e consequências", afirmou Ortony, que esta tarde participou, no Porto, numa conferência sobre "Computadores com emoção?", que decorreu no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP).

A iniciativa resultou de uma parceria entre o Departamento de Engenharia Informática, o Grupo de Investigação do Conhecimento e Apoio à Decisão (GECAD) e a Associação Portuguesa para a Inteligência Artificial.

Segundo referiu Ortony, apesar de não existirem quaisquer sentimentos num computador, é já possível prever emoções.

"Os computadores assimilam tudo, excepto os aspectos físicos", frisou o investigador, acrescentando que é possível "manipular" a máquina e, futuramente, "possivelmente exibir essas emoções através de robots".

O investigador norte-americano considerou a inteligência artificial "como um estilo de jogo", onde se experimenta e explora "espaços científicos, vendo como se desenvolvem boas teorias e modelos".

O modelo de Ortony serviu de base à investigadora do GECAD Goreti Marreiros, que desenvolveu uma tese de doutoramento criando um software para apoio à argumentação e decisão em grupo.

Para Andrew Ortony, o trabalho desenvolvido pela investigadora portuguesa "é espantoso, muito criativo, interessante e bem feito".

"Desenhou de tal forma o assunto que o torna muito convincente", sustentou.

Goreti Marreiros explicou que o seu trabalho teve por base o estudo da área de "uma tomada de decisão", idealizando um simulador desse mesmo processo.

"Numa tomada de decisão em grupo é difícil evitar os aspectos emocionais", disse.

A investigadora precisou que "houve necessidade de utilizar nos nossos agentes aspectos emocionais" e acrescentou ter utilizado por base o modelo de Ortony, que considerou "muito regrado", ou seja, muito baseado em regras.

"Um agente é credível se não falha as suas promessas, se a aposta que faz no início da reunião é a que fica no final, enfim, simulamos um pouco os aspectos emocionais".

Goreti Marreiros sustentou também ter conseguido mostrar que "agentes com capacidades emocionais conseguem chegar mais rapidamente a um acordo".

JAP.

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