Cientistas chineses atingem temperatura recorde em experiência na estação espacial
Uma equipa de cientistas chineses conseguiu arrefecer uma nuvem de átomos de rubídio até uma temperatura equivalente a 9,7 picokelvin na estação espacial Tiangong, estabelecendo um novo recorde em experiências de temperaturas ultrabaixas.
O estudo, publicado na revista científica Science, foi realizado no laboratório de física de átomos ultrafrios instalado no módulo Mengtian da estação espacial chinesa, informou hoje a televisão estatal CCTV.
Os investigadores conseguiram manter a nuvem de átomos àquela temperatura durante sete segundos, através de uma técnica de arrefecimento baseada em armadilhas óticas, que utilizam luz laser para controlar os átomos.
O resultado supera os 38 picokelvin alcançados em 2021 por uma equipa alemã, noutra experiência com átomos de rubídio, segundo a CCTV.
Um picokelvin corresponde a um bilionésimo de kelvin, uma unidade utilizada para medir temperaturas extremamente baixas. O zero absoluto, equivalente a 273,15 graus Celsius negativos, é a temperatura mais baixa teoricamente possível, na qual os átomos atingem o seu estado de energia mínima, embora continuem a apresentar movimento devido a efeitos quânticos.
A investigação aproveitou as condições de microgravidade da Tiangong, onde os átomos podem permanecer suspensos sem sofrer a queda provocada pela gravidade terrestre, o que facilita o seu arrefecimento e observação.
Na Terra, a gravidade dificulta este tipo de experiências, ao provocar a deslocação dos átomos e limitar o tempo disponível para os estudar.
O laboratório espacial, desenvolvido em 2022 e transportado para a estação a bordo do módulo Mengtian, utiliza diferentes técnicas de arrefecimento por laser e de confinamento magnético e ótico.
Segundo a CCTV, os investigadores consideram que estas condições permitirão estudar fenómenos físicos difíceis de observar a temperaturas habituais, além de contribuir para investigações sobre simulações do universo primitivo e possíveis métodos de deteção de matéria escura.
A Tiangong, cuja construção ficou concluída em 2022, é composta por um módulo central e dois laboratórios e constitui a principal plataforma chinesa de investigação em órbita.
A estação acolhe tripulações que se revezam periodicamente e realizam experiências em áreas como a física, a biologia e a medicina espacial.