Cientistas começam esta semana a analisar poeira cósmica

Cientistas de um laboratório em Houston, Estados Unidos, começam esta semana a examinar as poeiras de estrelas e cometas que chegaram domingo à Terra e que poderão ajudar a explicar como se formou o sistema solar.

Agência LUSA /

Após uma viagem de sete anos, a cápsula espacial da sonda Stardust, da NASA (Agência Espacial Norte-Americana), aterrou domingo no deserto do Utah, Oeste dos Estados Unidos, trazendo minúsculas partículas fundamentais para analisar a origem do sistema solar.

A carga celeste - que cabe numa colher de café - encontra-se numa caixa selada, dentro da cápsula, e será destrancada no final da semana no Centro Espacial Johnson, em Houston (Texas).

Após análises preliminares, os cientistas pretendem enviar as partículas cósmicas para laboratórios em todo o mundo, onde a sua composição deverá ser mais detalhadamente estudada.

"Esta aterragem não é a meta final, é apenas uma paragem intermediária", disse o responsável do projecto, Tom Duxbury, do Laboratório de Propulsão a Jacto de Pasadena, Califórnia.

Os cientistas estimam que dentro da caixa esteja cerca de um milhão de partículas de poeira de estrelas e cometas com dimensões muito inferiores à largura de um cabelo humano.

As partículas datam do nascimento do sistema solar, há 4,5 mil milhões de anos, devendo algumas delas ser ainda mais antigas do que o sol.

Os investigadores acreditam que as informações químicas e físicas existentes nestas partículas poderão revelar a história da formação dos planetas, bem como os materiais que os compõem.

"Dentro desta caixa está o nosso tesouro", disse o principal cientista, Don Brownlee, da Universidade de Washington.

Pesando 46 quilos, a cápsula "aterrou suavemente" domingo às 10:12 (hora de Lisboa), após ter percorrido 4,63 mil milhões de quilómetros no espaço, o que equivale a mais de 10.000 vezes a distância da Terra à Lua.

Lançada em 1999, a sonda de 385 quilogramas teve um encontro com o cometa Wild 2, perto de Júpiter, a 02 de Janeiro de 2004, depois de uma dupla revolução em volta do Sol.

Ao chegar a 240 quilómetros do seu objectivo, a Stardust activou primeiro um escudo para se proteger dos gases e poeiras do halo do cometa e abriu depois um colector em forma de raquete de ténis com uma centena de cavidades feito de aerogel, o mais leve dos materiais conhecidos, para apanhar as poeiras.

A sonda também captou 71 imagens do cometa Wild 2 que mostram grandes rochas à superfície, crateras e duas dezenas de "géisers" a emitir gases e poeiras.

Durante a viagem de ida, os engenheiros da NASA usaram o outro lado do colector para capturar, durante 195 dias, grãos de poeira interestelar.

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