Cimeira Alternativa em Lisboa contesta política europeia para África
Berlim, 06 Dez (Lusa) - Representantes de organizações não governamentais, sindicatos e outros movimentos sociais organizam em Lisboa, no fim-de-semana, uma cimeira para mostrar alternativas à política europeia em relação ao continente africano, paralelamente à Cimeira UE-África, foi hoje anunciado.
"Segundo o governo alemão e a Comissão Europeia, a cimeira oficial destina-se a aprofundar a parceria entre os dois continentes, mas na verdade a política comercial e a política de migrações da União Europeia é tudo menos uma parceria", afirmou hoje, em Frankfurt, um porta-voz do movimento anti-globalização Attac, organização não governamental (ONG) alemã envolvida na organização da Cimeira Alternativa.
O Attac, que mobilizou dezenas de milhares de pessoas, no Verão passado, contra a Cimeira do G8, na Alemanha, acusa a UE de ameaçar os países africanos com taxas alfandegárias sobre as suas exportações para o espaço europeu, e de lhes cortar a ajuda ao desenvolvimento, se estes se recusarem a assinar os chamados Economic Partnership Agreements (Acordos de Parceria Económica, conhecidos pela sigla EPAs).
"Os EPAs aumentarão as desigualdades sociais e a pobreza em África e causarão mais emigração", afirmou Johannes Lauterbach, coordenador do Attac para a luta contra os referidos acordos.
"Simultaneamente, a União Europeia reforça os controlos migratórios, que provocam a morte de milhares de pessoas no Mediterrâneo", acrescentou Lauterbach.
A Cimeira Alternativa Europa-África, no sábado e no domingo, em Lisboa, debaterá a política comercial e a política de migrações, a soberania alimentar, a agricultura, os recursos naturais e os direitos humanos.
No domingo, após o final dos trabalhos, os participantes promovem ainda uma manifestação no centro de Lisboa.
Algumas organizações camponesas de África planeiam ainda uma acção de rua com o objectivo de chamar a atenção para as consequências dos EPAs sobre a agricultura africana.
FA.