Cimeira de Samara tenta ultrapassar o impasse das relações bilaterais
A Cimeira Rússia-União Europeia, que hoje decorre nos arredores da cidade russa de Samara, tem como único objectivo ultrapassar o impasse das relações bilaterais, não estando prevista a assinatura de qualquer acordo, como acontece tradicionalmente nestas reuniões.
A delegação europeia é constituída pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.
Eles abordarão com os dirigentes do Kremlin, entre outros temas, questões polémicas como a instalação de sistemas norte-americanos de defesa anti-míssil na Polónia e na República Checa, o fornecimento de combustíveis por Moscovo à Europa, o Estatuto do Kosovo, o eventual início de conversações sobre a assinatura de um Acordo de Cooperação entre a Rússia e a União Europeia.
A prioridade vai para o problema das fontes de energia. Moscovo fornece 25 por cento do gás e do petróleo consumidos pelos países da UE e a política russa no campo da exportação de hidrocarbonetos para o Velho Continente provoca apreensões cada vez maiores no seio da União.
Será difícil o diálogo em torno do Estatuto do Kosovo. A Rússia ameaça usar o seu direito ao veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, caso seja posta à votação o plano de "Mart Ahtisaari", apoiado pela UE e os Estados Unidos e que conduz à independência do Kosovo em relação à Sérvia.
Por fim, as partes terão também de impulsionar as conversações sobre a assinatura de um novo acordo de cooperação, documento que norteia as relações entre a Rússia e a União Europeia.
Actualmente, as conversações são bloqueadas pela Polónia, que exige o fim do embargo russo à sua carne. Além disso, a Lituânia ameaça também bloqueá-las, se a Rússia não restabelecer os fornecimentos de petróleo à refinaria lituana de Mazeikiai. Moscovo fala de problemas técnicos mas Vilnius inclina-se para ver nisso razões políticas.
Paralelamente à realização da Cimeira Rússia/UE, a oposição ao presidente Putin convocou para Samara uma "Marcha de Descontentes".
No início, as autoridades russas tinham proibido essa manifestação mas, devido aos protestos de Angela Merkel, acabaram por autorizar a sua realização.
O Kremlin concentrou em Samara um forte contingente policial e tem vindo a deter alguns dos organizadores da "Marcha dos Descontentes" a fim neutralizar essa iniciativa.
Porém, Garri Kasparov e outros dirigentes da oposição ao presidente Putin afirmam não desistir das suas intenções de se manifestar contra o regime vigente na Rússia.