Cimeira do G20. Os desafios dos líderes mundiais na gestão da paz, dívida e clima

Os líderes mundiais do G20 vão reunir-se numa cimeira de dois dias - a 9 e 10 de setembro - organizada pela Presidência indiana do G20 em Nova Deli. Sob o lema "Uma Terra - Uma Família - Um Futuro" serão debatidas, em clima de tensão, as divergências profundas sobre a guerra da Rússia na Ucrânia, a reestruturação da dívida e a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, o que dificultará a obtenção de uma declaração comum no domingo.

Rachel Mestre Mesquita - RTP /
Alunos de uma escola de arte em Mumbai, na Índia, pintam os retratos dos líderes do G20 Niharika Kulkarni - Reuters

Joe Biden, Rishi Sunak, Emmanuel Macron e outros líderes do G20 vão estar em Nova Deli para a 18ª Cimeira do Grupo dos 20. 

Xi Jinping e Vladimir Putin não marcarão presença, deixando a representação nacional a cargo de Li Qiang, o primeiro-ministro chinês, que chefiará a delegação chinesa e de Sergei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros russo, que chefiará a delegação russa.

Narendra Modi, o primeiro-ministro da Índia – país anfitrião do encontro anual – espera afirmar a crescente influência diplomática do país e facilitar o diálogo sobre os assuntos que dividem o G20: a guerra da Rússia na Ucrânia e as alterações climáticas.

A falta de consenso relativamente à guerra na Ucrânia ameaça descarrilar a reunião, prejudicando o progresso em questões como a segurança alimentar, a reestruturação da dívida e a cooperação em matéria de alterações climáticas.
“O custo da inação será catastrófico"
A Cimeira do G20 decorre enquanto “o mundo está no fio da navalha. A crise climática está a infligir danos imensos às pessoas, os direitos humanos de milhares de milhões de pessoas estão ameaçados”, afirmou Agnès Callamard, secretária-geral da Amnistia Internacional, em comunicado esta semana.

De acordo com a Amnistia Internacional, “é vital que o G20 reconheça a magnitude e a urgência destas crises e atue rapidamente para impedir a escalada dos desastres climáticos e da dívida”, caso contrário “o custo da inação será catastrófico", acrescentou.

Na anterior cimeira do G20, em novembro de 2022, organizada pela presidência indonésia do G20 em Bali, os líderes debateram o impacto da guerra da Rússia contra a Ucrânia na economia mundial e, em especial a segurança alimentar e energética.

Apesar de terem emitido uma declaração comum, a Amnistia Internacional considera que até agora não foi honrada e apela ao seu cumprimento, assim como a adoção de novos compromissos.

Esta cimeira do G20 antecede outras ocasiões-chave em que os países estarão novamente reunidos, como a semana de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas e a Cimeira de Ambição Climática do secretário-geral da ONU no final deste mês, ambas em Nova Iorque, assim como a reunião sobre o clima COP28 no Dubai, que começa a 30 de novembro.

c/agências
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