Cinco candidatos às eleições presidenciais nas Honduras

Dos cinco candidatos à presidência das Honduras nas eleições gerais do dia 27 apenas dois, na opinião dos analistas, têm possibilidades de triunfo: Porfírio Lobo, do partido Nacional, actualmente no governo, e o liberal Manuel Zelaya.

Agência LUSA /

Lobo, actual presidente do parlamento hondurenho, é agricultor e ganadeiro, além de administrador de empresas licenciado em Miami (Estados Unidos).

Zelaya, candidato do partido Liberal, também esteve ligado ao campo, tem formação técnica em engenharia civil e foi ministro do Fundo Hondurenho de Investimento Social (FHIS) em duas administrações liberais, entre 1994 e 2002.

Lobo e Zelaya lideram dois partidos maioritários e conservadores, com mais de cem anos de história que no século passado alternaram no poder, excepto quando tomaram o poder os militares, com os quais, segundo analistas locais, o partido Nacional sempre teve mais afinidades.

São ambos candidatos pela primeira vez à presidência do país, que regressou à democracia em 1980, depois de quase duas décadas de regimes castrenses.

Das seis eleições gerais celebradas até hoje, o partido Liberal ganhou as de 1981, 1985, 1993 e 1997, contra duas vitórias do partido Nacional, em 1989 e 2001.

Lobo espera conseguir, pela primeira vez em 25 anos, um segundo triunfo consecutivo para o partido Nacional, de bandeira azul, enquanto Zelaya aspira conduzir pela quinta vez ao poder o partido Liberal, de emblema vermelho e branco.

A lei eleitoral proíbe a difusão de sondagens pelo que tem sido impossível medir a relação de forças entre os dois candidatos, à margem das informações veiculadas pelos próprios partidos, cada uma deles a dar como certa a vitória do seu candidato.

Os outros três candidatos são o médico Juan Almendares, do partido Unificação Democrática (de esquerda), Carlos Sosa, da Inovação e Unidade Social-Democrata, e Juan Ramón Martínez, da Democracia Cristã.

Os três candidatos dos partidos minoritários também disputam a presidência pela primeira vez, à frente de formações que, juntas, apenas obtiveram 12 deputados nas eleições de 2001, dos 128 que integram o poder legislativo.

Juan Almendares é um médico licenciado no seu país, com estudos de bioquímica e fisiologia nos Estados Unidos. Entre outros cargos, foi reitor da Universidade Nacional Autónoma das Honduras.

Também foi docente, autor de diversas publicações, colunista em meios de comunicação locais e dirigente de organizações populares.

O candidato do partido Inovação e Unidade Social-Democrata é um médico psiquiatra, ex-embaixador das Honduras na Venezuela e ex- deputado do Parlamento nacional.

A Democracia Cristã, que esteve quase a extinguir-se enquanto partido, tem como candidato Juan Ramón Martínez, licenciado em Direito, analista e colunista em dois diários hondurenhos e outras publicações.

Durante a administração "nacionalista" de Rafael Callejas (1990- 1994), Martínez foi director do Instituto Nacional Agrário (INA).

Dos 128 deputados que integram o Congresso, o partido Nacional obteve 61 em 2001, contra 55 do partido Liberal, cinco da Unificação Democrática, quatro da Democracia Cristã e três da Inovação Social- Democrata.

Dos cinco partidos, a Unificação Democrática, inscrita legalmente em 1994, é o mais jovem e participa pela terceira vez em eleições gerais.

A origem da Inovação Social-Democrta remonta a 1968, embora só tenha sido registada em 1978.

A Democracia Cristã surgiu em 1968, mas oficialmente não foi registada até 1980, ano em que o país regressou à democracia com a eleição de uma Assembleia Nacional Constituinte, que redigiu a actual Constituição da República e convocou as eleições gerais de Novembro de 2001.

Nas eleições do dia 27, os hondurenhos escolherão um presidente, um vice-presidente, 128 deputados e 298 câmaras municipais.

O próximo presidente sucederá no cargo a Ricardo Maduro, a 27 de Janeiro de 2006.

PUB