Cinco dromedários oferecidos por Khadafi tratados como camelos
Bissau, 08 Mai (Lusa) - A fauna da Guiné-Bissau tem uma nova espécie, cinco dromedários oferecidos pelo líder líbio Muamar Khadafi, que vão tentar sobreviver e reproduzir-se naquele país, onde todos pensam que os animais recebidos são camelos.
Os cinco dromedários (ou camelos para as autoridades guineenses), duas fêmeas e três machos, chegaram ao território guineense na sexta-feira num cargueiro do Governo de Tripoli, que andou a distribuir a mesma quantidade daqueles animais por cada um de 25 países da África subsaariana.
O encarregado de Negócios da Embaixada da Líbia em Bissau, Monsur Ahmed Kalifa, explicou que os animais representam a "amizade de Khadafi" com os países africanos.
Agora, cabe à Guiné-Bissau dar-lhes um destino, que já foi decidido pelas autoridades de Bissau.
Para já, as autoridades vão perceber se os animais se adaptam ao clima do país e se conseguem reproduzir-se, disse à Agência Lusa Bacar Djassi, secretário de Estado da Promoção Agrária e Segurança Alimentar.
Caso isso acontença, os dromedários podem vir a fazer parte da alimentação dos guineenses, minimizando, assim, as insuficiências alimentares no país, explicou a mesma fonte, acrescentando que aqueles animais podem ainda ajudar no transporte de carga.
"A carne de camelo é das mais gostosas que há, é um animal que dá muito e bom leite e o camelo é ainda um animal muito resistente", disse Bacar Djassi, quando pensava estar a falar de camelos e não de dromedários. Mas as diferenças não são assim tantas.
Os dromedários e os camelos são da mesma família, mas distinguem-se pelo número de bossas. O camelo tem duas e o dromedário apenas uma.
Tal como o camelo, o dromedário também pode ser comido, o seu leite bebido e os seus excrementos utilizados como combustível.
A preocupação do secretário de Estado da Promoção Agrária e Segurança Alimentar é para já encontrar um local para os animais viverem.
A decisão ainda não está tomada, mas o Governo estuda levar os dromedários para Bissorã, no norte, ou para a zona de Buruntuma, no leste da Guiné-Bissau.
"Os camelos são animais que vivem, preferencialmente, em zonas áridas ou semi-áridas, o que não é o nosso caso. Mas vamos fazer tudo para que possam adaptar-se ao nosso clima", defendeu Bacar Djassi, médico veterinário de formação, que revelou algum receio com a aproximação da época das chuvas na Guiné-Bissau.
E com toda a razão. É que tal comos os camelos, os dromedários também não reagem bem a climas húmidos, onde podem perder as suas qualidades naturais.
Até hoje, fracassaram várias tentativas de propagar a espécie a regiões que não fossem áridas ou semi-áridas.
É desconhecida a existência tanto de camelos como de dromedários na Guiné-Bissau, o que torna provável que esta seja a primeira vez que aqueles animais de grande porte pisam solo guineense.
Os cinco dromedários estão a viver, por enquanto, na granja de Pessubé, nos arredores de Bissau, e a sua presença tem provocado a aglomeração de pessoas, sobretudo, de crianças que nunca viram um animal tão grande.
"Nunca tinha visto um camelo ao vivo, apenas na televisão. É um aninal feio e grande", disse à Lusa Aminata, uma menina que, juntamente com as outras crianças, saiu da sua escola nas redondezas da granja de Pessubé para ver os animais.
Camelo ou dromedário, para os mais novos a questão nem se coloca, porque impressionante é mesmo ver aqueles animais ao vivo.