Mundo
Clima. Países desenvolvidos querem dar "menos recursos" às nações em desenvolvimento
Termina hoje a Conferência de Bona, que tem sido nas últimas duas semanas uma preparação da COP 31, que acontece em novembro na Turquia. Por causa dos custos com a defesa, há receio de que vários países deem um passo atrás no financiamento climático.
Mesmo tendo sido um compromisso assumido no passado, paira uma nuvem negra no financiamento climático, que prossupõe que os países desenvolvidos apoiem os países em desenvolvimento na transição climática. A participar nos trabalhos em Bona, na Alemanha, o instituto Laclima, uma organização de juristas que trabalha políticas climáticas, mostra algum pessimismo com este tema específico.
"O problema é que os países desenvolvidos não querem se comprometer de uma maneira tão firme com esse financiamento", afirma o diretor técnico do instituto, André Castro Santos, à RTP Antena 1. Aponta que os custos da defesa têm pressionado este financiamento.
Há uma maior solidariedade demonstrada nestas últimas semanas na Conferência de Bona? "Não muito", responde, explicando que tem existido a intenção de apostar em mais financiamento privado em vez de público. André Castro Santos diz que, na visão das nações em desenvolvimento, "o dinheiro privado sempre pressupõe que vai ter algum lucro, alguma vantagem económica em cima disso", preferindo então o financiamento estatal.
A União Europeia foi assumindo um maior papel de destaque, até porque os Estados Unidos têm estado à margem destas discussões desde que saíram do Acordo de Paris. Como retiraram financiamento, "isso pressionou outros países desenvolvidos a preencher essa lacuna deixada pelos Estados Unidos", aponta, pelo que fala de um sistema pressionado. André Castro Santos afirma que as questões discutidas em Bona não são tanto uma questão de ambição, mas sim de implementação e de financiamento. "Os países desenvolvidos querem fornecer menos recursos do que era suposto, e os países em desenvolvimento dizem que, sem esses recursos, não são capazes de fazer a implementação necessária", diz.
Resume então: "De maneira geral, é esse o impasse que fica em todas as salas de negociação, tanto das COP como da Conferência de Bona". Excerto das declarações de André Castro Santos à RTP Antena 1
A presidência turca da COP 31 quer aumentar a meta global de participação da eletricidade na procura final de energia de cerca de 20% atualmente para 35% até 2035. Sobre este tema, André Castro Santos considera tem "o potencial de entregar um bom resultado de mitigação".
A Conferência de Bona começou no dia 8 de junho e termina esta quinta-feira, enquanto a COP 31, da ONU, decorre entre 9 e 20 de novembro em Antalya, no sudoeste da Turquia.
"O problema é que os países desenvolvidos não querem se comprometer de uma maneira tão firme com esse financiamento", afirma o diretor técnico do instituto, André Castro Santos, à RTP Antena 1. Aponta que os custos da defesa têm pressionado este financiamento.
Há uma maior solidariedade demonstrada nestas últimas semanas na Conferência de Bona? "Não muito", responde, explicando que tem existido a intenção de apostar em mais financiamento privado em vez de público. André Castro Santos diz que, na visão das nações em desenvolvimento, "o dinheiro privado sempre pressupõe que vai ter algum lucro, alguma vantagem económica em cima disso", preferindo então o financiamento estatal.
A União Europeia foi assumindo um maior papel de destaque, até porque os Estados Unidos têm estado à margem destas discussões desde que saíram do Acordo de Paris. Como retiraram financiamento, "isso pressionou outros países desenvolvidos a preencher essa lacuna deixada pelos Estados Unidos", aponta, pelo que fala de um sistema pressionado. André Castro Santos afirma que as questões discutidas em Bona não são tanto uma questão de ambição, mas sim de implementação e de financiamento. "Os países desenvolvidos querem fornecer menos recursos do que era suposto, e os países em desenvolvimento dizem que, sem esses recursos, não são capazes de fazer a implementação necessária", diz.
Resume então: "De maneira geral, é esse o impasse que fica em todas as salas de negociação, tanto das COP como da Conferência de Bona". Excerto das declarações de André Castro Santos à RTP Antena 1
Meta de eletrificação? "Não vai gerar resistência"
O diretor técnico da Laclima, que se foca nas mudanças climáticas na América Latina, sublinha que a União Europeia não está contra a evidência científica, ao contrário de outros países.
A presidência turca da COP 31 quer aumentar a meta global de participação da eletricidade na procura final de energia de cerca de 20% atualmente para 35% até 2035. Sobre este tema, André Castro Santos considera tem "o potencial de entregar um bom resultado de mitigação".
Embora o afastamento dos combustíveis fósseis não se aplique de maneira geral, "porque alguns países têm boa parte da sua economia dependente da venda desses produtos", acredita que este é um tipo de meta que "não vai gerar resistência".
A Conferência de Bona começou no dia 8 de junho e termina esta quinta-feira, enquanto a COP 31, da ONU, decorre entre 9 e 20 de novembro em Antalya, no sudoeste da Turquia.