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Cloroquina, carvão na água e quiabo, tudo serve para os guineenses "lutarem" contra doença

Cloroquina, carvão na água e quiabo, tudo serve para os guineenses "lutarem" contra doença

O novo coronavírus ainda não chegou à Guiné-Bissau, mas os cidadãos já recorrem a diferentes formas para prevenir o Covid-19, abastecendo-se com cloroquina, com o consumo de quiabo ou lavando-se com água com carvão quente.

Lusa /

A Lusa percorreu hoje diversas farmácias de Bissau, mas obteve sempre a mesma resposta sobre se havia cloroquina à venda: "Já não há. Acabou".

Uma farmácia relatou que "apareceram uns estrangeiros, europeus", no sábado, e compraram o resto do estoque da cloroquina que ainda lá havia, com o pretexto de que no seu país aquela substância tinha sido banida da venda pública, "há muito tempo".

O Governo diz que se está a preparar-se para o caso de a doença chegar à Guiné-Bissau, tendo mandado adquirir equipamento sanitário em Portugal, inclusive reservou a zona do Wambo, no hospital Simão Mendes, em Bissau, para centro de isolamento.

A população guineense conhecendo as fraquezas do sistema de saúde do país, já recorre aos artefactos e crenças locais para prevenir e lutar com uma possível entrada com o Covid-19.

Alguns guineenses acreditam que lavando-se com água com carvão quente, logo pelas primeiras horas da manhã, livram-se da infeção, outros ainda acham que banhando-se numa água que contenha um "fio de cabelo" tirado do Corão (livro islâmico) não irão apanhar a doença e outros ainda defendem que o Covid-19 se afasta da pessoa que come, diariamente, o quiabo.

Banhar-se na água com carvão quente seria uma receita dada pelos ?baloberos` (os guardiães dos tempos tradicionais) dos indivíduos da etnia Papel, habitantes da zona de Bissau e Biombo, no nordeste guineense.

Tomar banho com água com um suposto fio de cabelo retirado do Corão também seria uma proposta feita por um muçulmano (ainda por identificar) que se baseia num alegado sonho do mesmo, em que teria recebido uma orientação divina.

A tese tem merecido um amplo debate nas redes sociais entre os muçulmanos guineenses, com uns a condenarem e outros a aplaudirem.

Longe dessa troca de argumentos religiosos, outros guineenses ainda são da opinião de que bebendo o vinho do caju, o Covid-19 "foge, nem chega perto", pelo menos é o que disse à Lusa Afonso T., de 52 anos, morador no bairro de Lala Quema, nos arredores de Bissau, ao ser questionado sobre se não tinha receio do novo coronavírus.

Polémicas à parte, à porta de algumas casas de Bissau, lojas, aquartelamentos militares e serviços públicos (com fraca afluência) é visível recipientes com torneira, contendo água e lixívia.

Os órgãos de comunicação social, públicos e privados, intensificaram as mensagens de sensibilização da população sobre os riscos do Covid-19, mas sem apelos ao consumo do quiabo, da cloroquina, do vinho do caju, ou aos banhos religiosos.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 341 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 15.100 morreram.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a OMS a declarar uma situação de pandemia.

O continente africano contabiliza agora mais 1.700 casos de infeção desde o início da pandemia, dos quais resultaram pelo menos 51 mortes.

Vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

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