Colômbia abandona coligação internacional para defesa dos direitos LGBT

Colômbia abandona coligação internacional para defesa dos direitos LGBT

O Governo da Colômbia decidiu na quinta-feira retirar o país da Coligação para a Igualdade de Direitos (ERC, na sigla em inglês), um grupo de 45 países que promove a defesa dos direitos da comunidade LGBT.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Marton Monus - Reuters

"O Governo nacional decidiu retirar a República da Colômbia da Coligação, com efeitos a partir de hoje", anunciou uma carta do Ministério dos Negócios Estrangeiros colombiano dirigida à organização.

A organização Caribe Afirmativo assinalou que o país, que era copresidente da organização, juntamente com Espanha, abandonou a coligação antes de concluir o mandato que tinha assumido em dezembro de 2024 e exigiu explicações públicas ao Governo e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da Colômbia.

A coligação reúne governos e organizações da sociedade civil de vários países e trabalha em áreas como a diplomacia internacional, legislação e políticas públicas, coordenação de doadores, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e proteção humanitária.

A Caribe Afirmativo afirmou que, segundo fontes oficiais consultadas pela organização, o argumento utilizado pelo executivo para justificar a saída estaria relacionado com a perceção de que a participação da Colômbia na estrutura constitui um legado do Governo anterior.

Contudo, a organização sustentou que os direitos das pessoas LGBT devem integrar compromissos de Estado e não depender de mudanças governativas.

A associação pediu também esclarecimentos sobre a continuidade da agenda da igualdade na política externa colombiana e sobre os recursos destinados à implementação da Política Externa Feminista em 2027.

O vice-ministro colombiano para os Assuntos Migratórios, Consulares e de Proteção Internacional, Pedro Agustín Roa, garantiu que a decisão de retirar o país da ERC não representa um retrocesso na proteção da população LGBT.

O ministério explicou que a saída resulta de um exercício de definição de prioridades da política externa, no qual se concluiu que a participação na coligação não era prioritária.

Durante a campanha eleitoral, o atual Presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, manifestou-se contra a adoção de menores por casais do mesmo sexo, posição que integra a sua defesa da família tradicional e que tem sido apontada por organizações como motivo de preocupação quanto à orientação das políticas de igualdade do Governo.

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