Colonos israelitas destroem 15 casas palestinianas na Cisjordânia
Colonos israelitas destruíram cerca de quinze casas palestinianas e um curral numa aldeia perto de Jericó, na Cisjordânia ocupada, disseram hoje moradores daquela localidade.
As estruturas, incluindo cabanas de chapa, foram demolidas ou gravemente danificadas na terça-feira em Al-Douyouk Al-Tahta, onde o aumento da violência de colonos israelitas obrigou os moradores a fugir.
"Cerca de 50 colonos chegaram, empurrando todos para fora antes de destruir as casas", relatou à agência de notícias francesa AFP Moustapha Kaabneh, um morador.
"Depois levaram tudo, até as galinhas", acrescentou. Segundo aquele habitante, a maioria dos colonos estava armada e mascarada e acompanhada de um veículo do exército israelita, seguido por uma escavadora.
A AFP solicitou ao exército israelita um comentário sobre esta situação, mas até ao momento não obteve resposta.
Hoje, um correspondente da AFP no local viu moradores a retirar pertences dos escombros das suas casas, cujas paredes estavam derrubadas ou no chão.
Um habitante, Bassem Kaabneh, de 23 anos, disse que colonos tinham agredido mulheres e crianças, expulsando famílias das suas casas e apoderando-se dos seus pertences pessoais.
"Disseram-me: `Acabou, já não tens casa aqui`", relatou.
Segundo Abou Audi al-Rajabi, proprietário de uma das habitações destruídas, não foi emitida nenhuma ordem de demolição por Israel.
A aldeia situa-se na zona C da Cisjordânia ocupada, que é administrada por Israel ao abrigo dos acordos de Oslo dos anos 1990, explicou Jihad Mahaless, outro habitante. O exército israelita destrói ali habitações que considera construídas sem licença.
Segundo Mahaless, cinco das estruturas destruídas eram de pedra e as restantes eram de chapa ou abrigos para animais.
Desde o início da guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque do movimento islâmico Hamas ao território israelita a 07 de outubro de 2023, a violência disparou na Cisjordânia, um território ocupado por Israel desde 1967.
A expansão da colonização na Cisjordânia é considerada pela ONU, juntamente com a continuação da violência, como um dos principais obstáculos à resolução do conflito israelo-palestiniano.
No domingo, o gabinete de segurança israelita aprovou uma série de medidas que permitem a Israel expandir o seu controlo em áreas administradas pela Autoridade Palestina ao abrigo dos acordos de Oslo.
Estas decisões foram fortemente criticadas internacionalmente, com alguns receios de uma anexação do território palestiniano por Israel.
Fora de Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel, cerca de três milhões de palestinianos vivem na Cisjordânia, ao lado de mais de 500.000 israelitas instalados em colónias consideradas ilegais ao abrigo do direito internacional.