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"Com efeitos imediatos". Trump anuncia interdição de vários meios de comunicação social na Casa Branca

"Com efeitos imediatos". Trump anuncia interdição de vários meios de comunicação social na Casa Branca

O presidente norte-americano anunciou esta sexta-feira que vai banir "com efeitos imediatos" três meios de comunicação social da Casa Branca. São eles a CNN, a MS NOW e o Politico.

Andreia Martins - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: USA TODAY Network via Reuters Connect

Numa publicação na rede Truth Social, o presidente norte-americano afirma que vai banir estes três orgãos de comunicação social "em resultado da constante publicação de notícias falsas". 

"Os meios de comunicação social não deveriam poder escrever e divulgar, de forma constante, FICÇÃO e MENTIRAS quando cobrem o presidente dos Estados Unidos, a administração Trump ou os Estados Unidos", afirma Donald Trump.

Segundo o presidente norte-americano, depois de CNN, MSNOW e Político, "outros meios de comunicação social" poderão ser banidos no futuro próximo. 

Na publicação, Donald Trump critica diretamente a MS NOW (a antiga MSNBC), destacando que mudou recentemente o nome "devido à falta de audiências e credibilidade", e também o Politico, que recebeu "uma assinatura de oito milhões de dólares (...) diretamente do Governo norte-americano" por ordem do "corrupto Joe Biden" para se manter "à tona". "Parece-me que é corrupção!", acrescentou. 


Durante uma conferência de imprensa esta sexta-feira, em plena Sala Oval, Donald Trump rejeitou qualquer tentativa de intimidação da imprensa e explicou que "não gosta de imprensa desonesta". 

Acrescentou que considera ter o "direito" de tomar tal decisão e atacou diretamente uma jornalista que lhe fazia perguntas, considerando-a "péssima" e "desonesta".  

A repórter tinha questionado se Trump procurava "intimidar" os órgãos de comunicação social com esta decisão, em violação da primeira emenda da Constituição norte-americana, que garante a liberdade de imprensa. 
CNN fala em "ataque ilegal" contra a liberdade de imprensa

Segundo a CNN, não houve qualquer movimentação ou indicação após a mensagem publicada por Donald Trump. Até sexta-feira, os jornalistas da CNN na Casa Branca continuavam a trabalhar no local. 

"A CNN apoia integralmente a nossa equipa que trabalha na Casa Branca e a sua cobertura jornalística justa e precisa. Temos o direito, garantido pela Constituição norte-americana, de continuar a reportar sem impedimentos ou interferências do Governo", adianta a CNN em comunicado.

Se a proibição que Donald Trump "ameaçou" for implementada e concretizada, a CNN considera que "será um ataque ilegal ao direito a um direito fundamental e constitucionalmente protegido". 

Também o site Politico já reagiu à decisão, prometendo defender "vigorosamente" os direitos garantidos pela primeira emenda à Constituição norte-americana. "O Politico continuará a reportar de forma imparcial" sobre o atual Governo e os que se seguirem, garantiu em comunicado. 

Os ataques à imprensa e aos jornalistas são, de resto, apanágio dos dois mandatos de Trump na Casa Branca. De recordar, por exemplo, que o presidente norte-americano já tinha banido a Associated Press da Sala Oval em 2025, isto depois de a agência noticiosa se ter recusado a adotar o nome "Golfo da América" em referência ao Golfo do México. 

Também a MS NOW manteve vários repórteres a trabalhar na Casa Branca após o anúncio de Trump. 

A decisão de banir estes três órgãos de comunicação social surge também num momento de grande pressão para o presidente norte-americano, quando falta pouco mais de um mês para as eleições intercalares nos Estados Unidos. 

Neste escrutínio, a 3 de novembro, o Partido Republicano corre o risco de perder o controlo do Senado e da Câmara dos Representantes, pela impopularidade do conflito em curso no Médio Oriente junto do eleitorado norte-americano e o impacto do mesmo no custo de vida.
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