Combates intensificam-se no leste da Colômbia entre fações rivais da guerrilha
Pelo menos 16 pessoas foram mortas este fim de semana na Colômbia e dezenas forçadas a abandonar as suas casas devido à intensificação dos combates entre grupos rebeldes no estado de Arauca (leste), indicou hoje uma organização de direitos humanos.
Um responsável municipal de Arauquita referiu-se por sua vez a 17 mortos no decurso de combates entre dissidências das FARC e guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN), enquanto a `Defensoría del Pueblo`, um organismo governamental sobre direitos humanos se referiu a "homicídios, ameaças, deslocamentos massivos e risco de deslocamentos forçados em municípios da fronteira, em particular em Tame, Fortul, Saravena e Arauquita".
Em simultâneo, manifestou a sua "profunda preocupação pela agudização do conflito armado" em Arauca, um departamento petrolífero com forte presença do ELN, dissidências das FARC e grupos de narcotraficantes que disputam o controlo do território.
O gabinete na Colômbia do Alta-comissária da ONU para os direitos humanos apelou à proteção da população civil e à ativação de planos de contingência para estes casos, que permitam "cumprir as recomendações dos alertas da `Defensoría del Pueblo`".
A Missão de Apoio ao Processo de Paz (MAPP/OEA), da Organização de Estados Americanos, também emitiu apelos no mesmo sentido.
"Rejeitamos energicamente os confrontos entre grupos armados ilegais em Arauquita, Fortul, Saravena e Tame. Exortamos estes grupos a respeitarem dos direitos humanos, a aplicaram os mínimos parâmetros humanitários e deixem a população civil à margem do conflito armado", afirmou o organismo da OEA.
Apesar de a taxa de mortes violentas ter decrescido após a assinatura do acordo de paz de 2016 entre o Governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que se tornou num partido político, os homicídios e deslocamentos forçados de populações intensificaram-se em zonas rurais do país previamente dominadas pelas FARC e onde diversos grupos se confrontam.
Em paralelo, dezenas de ativistas sociais e ex-guerrilheiros das FARC foram assassinados nos últimos cinco anos, em ações atribuídas a grupos paramilitares de extrema-direita com o alegado envolvimento das forças de segurança.
As guerrilhas do ELN iniciaram em 2018 conversações de paz com Bogotá, mas que foram interrompidas na sequência de um ataque a uma academia da polícia que provocou 23 mortos.