Comboio com nome de Anne Frank gera polémica

A empresa ferroviária alemã, Deutsche Bahn, quer batizar de Anne Frank um comboio. O nome escolhido pela empresa para nomear o comboio de alta velocidade tem gerado polémica.

RTP /
Cris Toala Olivares - Reuters

O nome de Anne Frank, adolescente alemã de origem judaica que foi vítima do Holocausto, é um dos 25 nomes de personalidades alemãs escolhidos para batizar os novos comboios de alta velocidade da empresa estatal, que começam a circular já no próximo mês de dezembro.

A decisão da empresa, com o nome da autora do famoso Diário de Anne Frank, tem gerado controvérsia nas redes sociais por ser considerada de "mau gosto" e "insensível".

Iris Eberl, deputada conservadora alemã, comentou na sua página pessoal que a escolha era de "mau gosto” e desrespeitosa, considerando a história da adolescente judia.

Durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de judeus foram transportados para campos de concentração em comboios da Deutsche Reichsbahn, empresa ferroviária que antecedeu a Deutsche Bahn.

Anne Frank foi uma das vítimas levadas de comboio para Auschwitz pelos nazis, razão pela qual se está a gerar controvérsia em torno do nome do comboio.

Em resposta às críticas, a Deutsche Bahn afirmou, num comunicado, que Anne Frank "representa tolerância e uma convivência pacífica entre diferentes culturas, o que, em tempos como os atuais, é mais importante do que nunca".

A empresa relembrou ainda que o nome foi um dos 2.500 sugeridos pelas mais de 19 mil pessoas que participaram numa iniciativa pública para a sugestão de nomes para os comboios do novo lote a inaugurar no próximo mês. A partir das sugestões, um júri da Deutsche Bahn escolheu os 25 nomes finais.

Barry Langford, do Holocaust Research Institute da Royal Holloway University em Londres, disse à CNN que o plano de nomear um comboio com o nome de Anne Frank era "bem-intencionado, mas equivocado".

A Fundação Anne Frank divulgou uma nota, esta segunda-feira, declarando que "o batismo leva a controvérsias” e que, enquanto organização o consideram compreensível. A organização acrescentou ainda que a associação do nome Anne Frank a um comboio lembra as deportações judias, apesar das “boas intenções” e do poder simbólico desta iniciativa.

A família de Anne Frank foi deportada para o campo de concentração de Auschiwtz em 1944, e Anne foi morta mais tarde, em Bergen-Belsen.

A empresa ferroviária anunciou na sexta-feira passada os 25 nomes para cada um dos seus novos comboios de alta velocidade ICE da série 4.

Albert Einstein, Marlene Dietrich, Heinrich Heine, Konrad Adenauer, o casal Hans e Sophie Scholl (dissidentes que lutaram contra o nazismo pelo grupo anti-nazi White Rose), o teólogo Dietrich Bonhoeffer, a filósofa Hannah Arendt, o escritor Thomas Mann, o compositor Ludwig van Beethoven e a atriz e cantora Marlene Dietrich são algumas das personalidades homenageadas com os nomes na nova classe de comboios da Deutsche Bahn.

Outro nome que gerou polémica nas redes sociais foi o do filósofo Karl Marx. Entre as piadas dos utilizadores nas redes sociais, destaca-se a pergunta sobre as divisões por classes no comboio com o nome do principal teórico do comunismo, onde a luta de classes é um conceito central.
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