Mundo
Combustível para incêndios. Crise climática multiplica "condições severas" na Europa
O consórcio científico World Weather Attribution estima que o aquecimento global tenha acentuado em 20 vezes a probabilidade de Espanha enfrentar condições de calor, seca e ventos fortes – propícias a incêndios florestais.
O quadro de temperaturas elevadas e de seca que potenciou os recentes incêndios florestais de grandes dimensões em Espanha e França constitui atualmente uma maior probabilidade por causa do aquecimento global. A associação é consubstanciada numa estimativa esta semana divulgada pelo World Weather Attribution (WWA). Dispararam, segundo este consórcio de especialistas, os “índices de gravidade diária”.
Em Espanha, o calor extremo, os solos ressequidos e os ventos fortes são, de acordo com o WWA, condições propícias a incêndios 20 vezes mais prováveis. Em França, esta probabilidade duplicou.
“O verão de 2026 começou com temperaturas recordes e uma seca severa, condições agravadas pelas mudanças climáticas causadas pela atividade humana”, lê-se, relativamente à situação espanhola, na análise do consórcio científico, noticiada pelo jornal britânico The Guardian.
“Essa sequência resultou numa grande quantidade de material combustível que, ao secar, tornou-se altamente inflamável, aumentando a intensidade dos incêndios. Segundo a Agência Estatal de Meteorologia (AEMET), este verão está a revelar-se o mais quente já registado em Espanha”, observa o grupo.“Embora as temperaturas tenham caído ligeiramente a partir de 19 de julho, França declarou uma nova onda de calor com início a 29 de julho (Meteo France, 2026), e prevê-se a persistência do calor e de condições de tempo seco nos próximos dias, tanto em França como em Espanha”.
O consórcio recorda ter efetuado “dois estudos de atribuição rápida sobre incêndios” em Espanha e Portugal e na Turquia, em Chipre e na Grécia, “juntamente com uma análise retrospetiva de toda a temporada de incêndios florestais em várias regiões europeias”.
“Nos três estudos, constatou-se que as alterações climáticas causadas pela atividade humana foram um fator determinante para as condições meteorológicas propícias a incêndios, principalmente devido à influência no aumento excecional das temperaturas, mas também pelo agravamento das condições de seca”, refere o WWA.“A análise das regiões afetadas em Espanha identificou o papel do fenómeno conhecido como weather whiplash (uma oscilação meteorológica abrupta): um padrão de primaveras anormalmente chuvosas seguidas por verões quentes e secos, que favorece o crescimento abundante de vegetação; esta vegetação acaba por secar posteriormente, gerando grandes quantidades de material combustível”.
Citada pelo Guardian, Clair Barnes, investigadora associada do Imperial College de Londres e membro da equipa de estudo do WWA, afirma que se tem constatado “repetidamente como as alterações climáticas intensificam condições de calor, seca e inflamabilidade extremamente propícias a incêndios florestais”.
Nos casos de Espanha e França,”o aspeto singular é que ainda estamos no início da temporada — e, com outra vaga de calor a aproximar-se, estas descobertas são extremamente alarmantes”.
“O que observamos é um sinal claro da escalada dos impactos do aquecimento”, frisa a especialista.
A conclusão é reforçada por Julie Arrighi, diretora de programas do Centro Climático da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, igualmente citada pelo diário britânico: “O que estamos a ver agora em Espanha e França vai muito além do que esperaríamos com base em eventos passados”.
No início da semana, o secretário executivo das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, Simon Stiell, veio defender que a humanidade deve “abandonar o carvão, o petróleo e o gás mais rapidamente”, uma vez que o “alarme climático está a soar alto em todo o lado”.
Incêndios como aqueles que lavraram em França e Espanha constituem, nas palavras de Stiell, “o resultado de vagas de calor brutais que deixaram as paisagens ressequidas”.
A somar aos incêndios na Europa ocidental, o responsável da ONU evocou também temperaturas próximas dos 49 graus Celsius no norte de África, tempestades devastadoras no Chile e até a situação no Japão, que está a viver a maior vaga de calor desde que há registos, acima dos 40 graus.
O World Weather Attribution foi criado em 2014 pela climatologista alemã Friederike Otto e pelo holandês Geert Jan van Oldenborgh. Integram o consórcio o Imperial College de Londres, o Instituto Real de Meteorologia dos Países Baixos, o Laboratoire des Sciences du Climat et de l'Environnement, a Universidade de Princeton, o Centro Nacional de Investigação Atmosférica dos Estados Unidos, a ETH Zurich, o IIT Delhi e especialistas do Centro Climático da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.
c/ agências
Em Espanha, o calor extremo, os solos ressequidos e os ventos fortes são, de acordo com o WWA, condições propícias a incêndios 20 vezes mais prováveis. Em França, esta probabilidade duplicou.
“O verão de 2026 começou com temperaturas recordes e uma seca severa, condições agravadas pelas mudanças climáticas causadas pela atividade humana”, lê-se, relativamente à situação espanhola, na análise do consórcio científico, noticiada pelo jornal britânico The Guardian.
“Essa sequência resultou numa grande quantidade de material combustível que, ao secar, tornou-se altamente inflamável, aumentando a intensidade dos incêndios. Segundo a Agência Estatal de Meteorologia (AEMET), este verão está a revelar-se o mais quente já registado em Espanha”, observa o grupo.“Embora as temperaturas tenham caído ligeiramente a partir de 19 de julho, França declarou uma nova onda de calor com início a 29 de julho (Meteo France, 2026), e prevê-se a persistência do calor e de condições de tempo seco nos próximos dias, tanto em França como em Espanha”.
O consórcio recorda ter efetuado “dois estudos de atribuição rápida sobre incêndios” em Espanha e Portugal e na Turquia, em Chipre e na Grécia, “juntamente com uma análise retrospetiva de toda a temporada de incêndios florestais em várias regiões europeias”.
“Nos três estudos, constatou-se que as alterações climáticas causadas pela atividade humana foram um fator determinante para as condições meteorológicas propícias a incêndios, principalmente devido à influência no aumento excecional das temperaturas, mas também pelo agravamento das condições de seca”, refere o WWA.“A análise das regiões afetadas em Espanha identificou o papel do fenómeno conhecido como weather whiplash (uma oscilação meteorológica abrupta): um padrão de primaveras anormalmente chuvosas seguidas por verões quentes e secos, que favorece o crescimento abundante de vegetação; esta vegetação acaba por secar posteriormente, gerando grandes quantidades de material combustível”.
Citada pelo Guardian, Clair Barnes, investigadora associada do Imperial College de Londres e membro da equipa de estudo do WWA, afirma que se tem constatado “repetidamente como as alterações climáticas intensificam condições de calor, seca e inflamabilidade extremamente propícias a incêndios florestais”.
Nos casos de Espanha e França,”o aspeto singular é que ainda estamos no início da temporada — e, com outra vaga de calor a aproximar-se, estas descobertas são extremamente alarmantes”.
“O que observamos é um sinal claro da escalada dos impactos do aquecimento”, frisa a especialista.
A conclusão é reforçada por Julie Arrighi, diretora de programas do Centro Climático da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, igualmente citada pelo diário britânico: “O que estamos a ver agora em Espanha e França vai muito além do que esperaríamos com base em eventos passados”.
No início da semana, o secretário executivo das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, Simon Stiell, veio defender que a humanidade deve “abandonar o carvão, o petróleo e o gás mais rapidamente”, uma vez que o “alarme climático está a soar alto em todo o lado”.
Incêndios como aqueles que lavraram em França e Espanha constituem, nas palavras de Stiell, “o resultado de vagas de calor brutais que deixaram as paisagens ressequidas”.
A somar aos incêndios na Europa ocidental, o responsável da ONU evocou também temperaturas próximas dos 49 graus Celsius no norte de África, tempestades devastadoras no Chile e até a situação no Japão, que está a viver a maior vaga de calor desde que há registos, acima dos 40 graus.
O World Weather Attribution foi criado em 2014 pela climatologista alemã Friederike Otto e pelo holandês Geert Jan van Oldenborgh. Integram o consórcio o Imperial College de Londres, o Instituto Real de Meteorologia dos Países Baixos, o Laboratoire des Sciences du Climat et de l'Environnement, a Universidade de Princeton, o Centro Nacional de Investigação Atmosférica dos Estados Unidos, a ETH Zurich, o IIT Delhi e especialistas do Centro Climático da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.
c/ agências