Comediante Leo Bassi afirma que Europa não conhece a real situação da Venezuela
Caracas, 06 Dez (Lusa) - O comediante italiano Leo Bassi afirmou, em Caracas, que é muito difícil na Europa ter uma ideia da real situação da Venezuela e da chamada revolução bolivariana liderada pelo presidente Hugo Chávez.
"Eu sou muito céptico e quero ver as coisas com os meus próprios olhos", manifestou em entrevista concedida sexta-feira à Agência EFE no final de uma actuação, que decorreu na Praça dos Museus de Caracas.
O artista italiano referiu que "os jornais não são muito generosos (com Hugo Chávez) e há também muita manipulação do que se está a passar".
Bassi, na sua primeira visita à Venezuela, afirmou que sente muita simpatia pelos governos que tentam fazer "algo pela gente que normalmente está totalmente fora da realidade económica, social e política", entre os quais incluiu o presidente venezuelano Hugo Chávez.
"A essência do que se estar a passar na Venezuela é olhar como as pessoas se organizam nos bairros", disse, acrescentando que voltará à Europa com uma melhor impressão do que tinha antes da sua visita ao país latino-americano.
O cómico italiano, conhecido por seus espectáculos e acções provocantes de crítica social, participou do IV Festival Internacional de Circo da Venezuela e ministrou um curso sobre circo para jovens.
O festival circense, que decorre até domingo, também contou com a participação das companhias chilenas Musilocos e Reciclacirco, a cubana Colectivo de Artistas, a espanhola Azulkillas e a peruana La Tarumba.
Leo Bassi, membro de uma família italiana dedicada ao circo durante 160 anos ininterruptos, já actuou como bufão, animador e agitador social.
O italiano tem um estilo provocador, sendo um crítico mordaz da direita, da globalização e da religião, sobretudo da Igreja Católica.
"Sim, para muita gente sou um provocador", disse Bassi, acrescentando que "não quer ser um palhaço amado por todas as crianças, mas um bufão que expõe suas ideias e, mais do que tudo, surpreende".
"Nos últimos três anos tenho vivido protegido pela polícia, pois colocaram bombas no teatro", indicou, culpando os ramos mais conservadores da Igreja Católica pelo sucedido.
Bassi apresentou o seu espectáculo, ao ar livre e com entrada gratuita, diante de um público estimado de 400 pessoa e com a premissa de "surpreender sempre".
"Se é tão fácil enganar toda a gente a dois metros, sem nenhum meio, imagine o que se pode fazer com a televisão", disse o cómico italiano ao público depois de realizar um número de hipnotismo a "supostos membros" da platéia.
CSR.
Lusa/Fim