Comemorações assinalam dez anos da morte de François Mitterrand

O aniversário da morte de François Mitterrand, no domingo, motiva uma série de comemorações em França, onde, dez anos depois do seu desaparecimento, o ex-presidente socialista mantém uma grande popularidade.

Agência LUSA /

A cidade de Jarnac, onde nasceu, no oeste do país, será o centro das celebrações da efeméride. A família e próximos irão reunir- se em torno da sepultura de Mitterrand, no cemitério local, visitando em seguida a casa natal, que irá receber no futuro um museu.

No domingo, igualmente, o Partido Socialista abre ao público as portas da sua sede na capital francesa e mostra uma exposição de fotografias sobre um dos seus mais ilustres dirigentes.

As homenagens começaram, no entanto, mais cedo e hoje o presidente da Câmara Municipal de Paris, Betrand Delanoe, inaugurou, ao lado de Mazarine Pingeot, filha de Mitterrand, um percurso por diversos locais simbólicos na vida do ex-chefe de Estado.

Da rue de la Bièvre, onde residiu, às margens do rio Sena, é proposto um passeio que passa pelo Instituto do Mundo árabe, a Biblioteca Nacional, o Panteão, o museu do Louvre, a Assembleia Nacional e a Ópera da Bastilha.

Hoje é exibido no canal público France 3 um documentário inédito, "O segredo", sobre uma dimensão mais íntima do ex-presidente da República relatada pela filha nascida de uma relação ilegítima que manteve incógnita durante anos.

Este será mais um documento a juntar ao grande número de livros e documentários produzidos nesta última década sobre François Mitterrand.

Só em 2005 foram publicadas mais de 20 obras de diferentes autores sobre vários aspectos da sua personalidade, mas a grande novidade consistiu no filme de ficção "Le Promeneur du Champs de Mars", sobre os seus últimos dias de vida.

"Inquilino" durante dois septénios do palácio presidencial do Eliseu, Mitterrand é considerado o melhor presidente da República por muitos franceses, distinção que disputa com o general de Gaulle.

Numa sondagem do diário Libération, a maioria dos inquiridos elegeu o socialista como "o melhor presidente da V República [fundada em 1958]", seguido por de Gaulle, que, todavia, o ultrapassa numa sondagem do semanário Nouvel Observateur.

Certo é que em ambos surgem destacados dos outros presidentes, nomeadamente Georges Pompidou, Valéry Giscard d`Estaing ou o actual, Jacques Chirac, sendo Mitterrand o que se manteve mais tempo e o único de esquerda.

A sua popularidade não é afectada pelos vários escândalos que marcaram o seu último mandato, nomeadamente a revelação pela revista Paris-Match de uma filha ilegítima, em 1994, quando esta já tinha 20 anos.

O caso das escutas telefónicas ilegais feitas a partir do Eliseu e a revelação de um passado colaboracionista durante o regime nazi de Vichy foram outros factos que mancharam a sua biografia.

Contudo, muitas realizações pesam positivamente no balanço, nomeadamente a abolição da pena de morte, a aposentação aos 60 anos, a aproximação à Alemanha e a aprovação do Tratado de Maastricht, que deu origem à moeda única europeia.

às seis horas da manhã de 08 de Janeiro de 1996, sete meses depois de entregar o testemunho a Jacques Chirac, François Mitterrand morreu em Paris de um cancro da próstata, doença que descobriu em 1981 e escondeu até 1992.

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