Comunidade portuguesa com esperança de encontrar sobreviventes

Comunidade portuguesa com esperança de encontrar sobreviventes

Portugueses na Venezuela disseram à Lusa que a comunidade poderá ser o grupo estrangeiro mais afetado pelos sismos no estado de La Guaira, a norte de Caracas, apesar de continuarem a ter esperança de encontrar pessoas com vida.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Ronald Peña R. - EPA

"Estamos muitos consternados, com o que aconteceu na Venezuela, no estado La Guaira, que foi o mais afetado. Por isso, no Centro Português criámos um centro de recolha de ajudas que serão entregues à Caritas Venezuela e ao Dividendo Voluntário para a Comunidade, para ser distribuídas pelos necessitados", disse o presidente do Centro Português de Caracas (CPC) à agência Lusa.

Martin de Abreu explicou que "das comunidades [estrangeiras] na Venezuela, a mais afetada, em La Guaira é a comunidade portuguesa", sublinhando que "tristemente é assim".

"Conhecemos muitas pessoas, amigas, associadas, afetadas, outras desaparecidas, e algumas já dadas como mortas (...) viver isto é muito difícil, mas continuaremos em frente", frisou.

O presidente do CPC explicou ainda que a recolha de ajudas tem tido muita recetividade e que a comunidade tem contribuído com medicamentos, alimentos, água e roupa.

"Quando aconteceram os sismos o clube estava aberto, mas com pouca gente porque tínhamos festejado a noite de São João. O clube esteve dois dias encerrado e reabriu para avançar com a recolha", disse.

Lamentou que persistam dificuldades nas telecomunicações em La Guaira e que as pessoas ficam a saber umas das outras através de alguém.

"Estamos orando pela Venezuela, pelos cidadãos portugueses, porque sabemos que há muita gente que tem família lá [em La Guaira]", disse.

Por outro lado, a diretora de Cultura do CPC, Alba Maria Ferreira, explicou à Lusa que os sismos começaram por ser um susto, mas que a dimensão da catástrofe começa a ser conhecida.

"Não acreditámos no que tínhamos vivido, mas à medida que o tempo passa vamos tomando consciência do que aconteceu, de que há muita gente a pedir ajuda para encontrar familiares", disse.

Alba Maria Ferreira notou que há membros da comunidade que sabem que familiares morreram e querem resgatar os corpos. "E, nós não sabemos como responder. Então sentimo-nos de mãos amarradas, porque não temos como ajudar e vamos sabendo histórias muito tristes da destruição que houve (...) de que isto realmente foi uma coisa muito grande, horrível", disse.

"Também temos tido outras histórias, de pessoas que os familiares estão à procura e de repente aparecem em bom estado", sublinhou.

Como exemplo referiu que a comunidade esteve angustiada porque estava desaparecida a diretora de um grupo folclórico em La Guaira e que quando apareceu foi uma sensação incrível.

"Assim como há notícias tristes, também há outras que nos dão conforto. Ainda há esperanças de encontrar pessoas que estão desaparecidas. Isso aconteceu com o meu irmão: estivemos sem saber dele até o dia de ontem [sábado], e ele está bem, graças a Deus", disse.

Explicou ainda que conhece pessoas que sobreviveram as enxurradas de 1999 em La Guaira (antigo estado de Vargas) e que sobreviveram agora aos sismos, lamentando que ficassem de novo sem nada.

"Precisamos de todo tipo de ajuda, de comidas e muita medicação, equipamentos médicos. Também de autorização para o transporte de maquinaria. Conheço portugueses, construtores, que têm maquinaria disponível para prestar ajuda, mas são impedidos de passar até La Guaira", disse.

Sobre a recolha de ajuda, Gabriela Alves da Silva, do Comité de Damas do CPC, explicou à Lusa que estão a pedir às pessoas que apoiem com medicamentos, produtos para bebés, como leite, fraldas e biberões.

"Os afetados estão a precisar de roupa e colchões, e dos hospitais estão a pedir medicamentos, luvas, algodão, álcool. Estamos também a receber comida, alimentos que não se estragam, água e bebidas energéticas", disse.

A responsável frisou ainda que têm recebido muitas doações e que a resposta está a ser muito positiva.

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