Comunidade turca na Alemanha está cada vez mais religiosa e conservadora

A comunidade turca na Alemanha, com 2,5 milhões de pessoas, está cada vez mais receptiva aos valores religiosos e conservadores, revela um estudo do Centro de Estudos Turco, hoje divulgado.

Agência LUSA /

O estudo indica que 83 por cento dos turcos que vivem na Alemanha consideram-se religiosos, mais 10 por cento que no ano de 2000, e 28 por cento diz ser muito praticante, mais 20 por cento que há cinco anos atrás.

Quase metade da comunidade turca presente na Alemanha (47 por cento) está a favor do uso do véu islâmico pelas mulheres - em 2000 era uma opinião defendida por 37 por cento dos turcos - e 30 por cento está contra a existência de aulas de desporto e excursões com crianças de ambos os sexos, mais 11 por cento que em 2000.

O director do Centro de Estudos Turco, Faruk Sen, assinalou, no entanto, que 75 por cento dos turcos que se declaram muito religiosos concordam com a separação da igreja do Estado, o que significa que 175.000 turcos são favoráveis à Sharia.

Cerca de 80 por cento dos turcos que vivem na Alemanha sentem- se aceites e consideram que vivem num ambiente tolerante, o que explica, em parte, que neste país não se tenha produzido uma rebelião como a que se assiste agora em França.

Os turcos na Alemanha têm mais possibilidades de integração, em particular de encontrar trabalho, do que os de França, o que faz com que tenham muito mais a perder se participarem em distúrbios, explicou Faruk Sen.

Acrescentou que as famílias turcas estão mais unidas do que as do norte de África que vivem no país vizinho, o que é um factor estabilizador.

Por outro lado, a revista "Focus" publica no seu próximo número um estudo da Universidade de Bona que revela que os jovens turcos com o ensino secundário têm valores similares aos dos seus companheiros alemães, essencialmente no que se refere à igualdade entre homem e mulher.

Pelo contrário, os jovens turcos que só tem estudos ao nível do ensino primário são mais machistas, pois recusam casamentos entre turcos e alemães e aceitam a ideia que sejam os pais a escolher o seu cônjuge.

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