Conferência, disco e exposição alertam para Darfur nas vésperas de cimeira UE-África

Lisboa, 03 Dez (Lusa) - O drama do Darfur vai ser lembrado em Lisboa na semana que antecede a cimeira UE-África com uma conferência com o bispo auxiliar de Cartum, o lançamento de um disco e uma exposição, anunciou hoje a Plataforma por Darfur.

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Desde 2003 que o conflito na província sudanesa do Darfur causou mais de 200 mil mortos e 2,5 milhões de refugiados, situação que será abordada na conferência organizada pela plataforma portuguesa por Darfur, quarta-feira, em que participam o bispo auxiliar de Cartum, D. Daniel Marko Kur Adwok, em visita a Portugal desde sexta-feira, e o advogado sudanês Salih Mahmoud Osman, prémio Sakharov 2007.

A visita do bispo a Portugal, durante a qual celebrará cerimónias religiosas em Lisboa, Porto e Fátima e participará no lançamento de dois livros, é promovida pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, instituição dependente do Vaticano e que integra a Plataforma por Darfur.

O activista pelos direitos humanos Salih Osman foi premiado pelo Parlamento Europeu pelo trabalho a favor das vítimas da guerra civil na região de Darfur e receberá o Prémio Sakharov no próximo dia 11, em Estrasburgo, na véspera do 59/o aniversário da assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU.

À conferência segue-se o lançamento da colectânea Artistas Portugueses por Darfur, um CD com 29 temas, quatro inéditos, cujas receitas se destinam "na totalidade" a projectos no Sudão, disse à agência Lusa Filipe Pedrosa, secretário da Plataforma e colaborador dos Missionários Combonianos.

Lúcia Moniz, Fernando Tordo, Mafalda Arnauth, José Cid, Red Zone, Carlos Manuel Ribeiro (UHF), Anjos e Zé Diogo Quintela (dos Gato Fedorento) são alguns dos que participam na colectânea, que integra um tema de cada um dos 28 artistas e bandas e a música Frágil (adaptação de "Fragile", de Sting) cantada em conjunto.

Entre os projectos que beneficiarão das vendas do CD está o de uma escola em Nyala (Darfur) a cargo de um missionário português e o da arquidiocese de Cartum "Manter as escolas abertas", que garante a mais de 33.000 crianças sudanesas, "a maioria refugiada", assistência escolar e alimentar, adiantou Filipe Pedrosa.

Na quarta-feira, será ainda inaugurada a exposição itinerante Darfur/Darfur, que até dia 10 ficará instalada no exterior da Gare do Oriente, perto do Pavilhão Atlântico, onde sábado e domingo se reunirão os participantes da cimeira UE-África.

A exposição consiste em 150 fotografias que retratam o dia-a-dia do Darfur, que são projectadas num triângulo gigante ao som de música de inspiração sudanesa.

Desde Novembro de 2006, a exposição já passou por cidades dos Estados Unidos, Canadá, África do Sul, Holanda, Alemanha, Turquia, Itália e Suécia.

Além de fotografias de Helene Caux, do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e mentora do projecto, a exposição inclui fotografias do ex-fuzileiro norte-americano Marine Brain Steidle e dos fotojornalistas Lynsey Addario, Mark Brecke, Ron Haviv, Paulo Pellegrin, Ryan Spencer Reed e Michal Safdie.

Antes da cimeira União Europeia-África, a Plataforma por Darfur pretende ainda entregar ao presidente em exercício do Conselho Europeu e primeiro-ministro português, José Sócrates, a Petição de Urgência pelo Darfur, que conta até ao momento com "cerca de 16 mil assinaturas", disse Filipe Pedrosa.

Os signatários pedem que "o drama humanitário no Darfur seja assumido como prioridade na agenda da Cimeira Europa-África" e que a União Europeia assuma como prioridades "conseguir um acordo global para a paz no Sudão" e "o fim da impunidade dos responsáveis pelos crimes de guerra e pelos crimes contra a humanidade no Darfur".

Além de lembrar as vítimas do conflito, a petição assinala que "muitos refugiados, sendo mais de um milhão crianças, não têm acesso à ajuda internacional e estão expostos à morte por má nutrição e doenças" e que "a acção das organizações humanitárias, que no terreno prestam ajuda de emergência, tem sido intencionalmente dificultada ou mesmo impedida".

Salienta ainda que "o Tribunal Penal Internacional qualificou as acções cometidas contra as populações do Darfur como crimes de guerra e crimes contra a humanidade".

PAL.


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