Conferência internacional em Bagdad a 10 de Março
O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, anunciou que a conferência internacional para restabelecer a paz no Iraque se realizará a 10 de Março, em Bagdad.
"O governo iraquiano dirigiu convites oficiais aos países da região, aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, à ONU, Liga Árabe e Organização da Conferência Islâmica para uma conferência em Bagdad no dia 10 de Março", indica um comunicado governamental.
"O objectivo desta conferência é fazer avançar o processo político e apoiar os esforços do governo de união nacional em defesa da segurança e da estabilidade", adianta.
O comunicado acrescenta que a conferência visa igualmente apoiar uma "reconciliação nacional", não precisando se o encontro se desenrolará em duas fases.
Segundo a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, deve realizar-se uma primeira reunião em Março e uma segunda, a nível ministerial, em Abril.
Os Estados Unidos e a Síria já anunciaram que participarão na conferência.
Um alto responsável iraniano, Ali Larijani, indicou que o Irão poderá participar na reunião.
"Para resolver os problemas do Iraque nós faremos tudo o que pudermos. Se é no interesse do Iraque, nós participaremos na reunião" de Bagdad, declarou Larijani.
A França disse que ia analisar o convite iraquiano e Londres saudou a iniciativa, embora também sem confirmar a sua participação.
Entre os países convidados encontram-se também a Jordânia, Turquia, Ará bia Saudita, Kuwait, Egipto e Bahrein.
O Iraque partilha fronteiras com o Irão, Jordânia, Kuwait, Arábia Saudita, Síria e Turquia.
O Irão é regularmente acusado pelos Estados Unidos de ingerência nas qu estões iraquianas, nomeadamente deixando passar armas para as milícias xiitas ou treinando os seus combatentes.
A Síria, por seu turno, é acusada pelo Iraque de deixar entrar no país extremistas estrangeiros que alimentam as fileiras da rebelião sunita nas provín cias centrais e em Bagdad.
A necessidade de esforços diplomáticos "regionais" era uma das duas principais recomendações do relatório da Comissão Baker-Hammilton sobre o Iraque, entregue em Dezembro ao presidente norte-americano, George W. Bush, que defendia também a retirada progressiva das tropas dos Estados Unidos.
"A nossa recomendação mais importante é apelar a esforços diplomáticos e políticos reforçados no Iraque e na região", indicava o texto, que considerava que "as políticas e acções dos vizinhos do Iraque afectam grandemente a sua estabilidade e prosperidade".
"Os Estados Unidos deviam lançar imediatamente uma nova ofensiva diplomática para construir um consenso internacional a favor da estabilidade no Iraque e na região", referia ainda o relatório.
Esta quarta-feira, o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano Sean McCormack não excluiu contactos bilaterais entre os norte-americanos e os seus homólogos sírios e iranianos à margem da conferência de Bagdad.
Mas o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, disse que Washington não tem intenção de iniciar discussões bilaterais com o Irão aquando da conferência e a ssegurou que a administração Bush não mudou de política em relação à República Islâmica e à Síria.
"Não existe fissura" na diplomacia norte-americana, "algumas pessoas descreveram a participação norte-americana numa reunião regional como uma mudança de política, não é nada disso", disse Snow.
A conferência de Bagdad "não será ocasião para modificar a paisagem diplomática", insistiu.
Snow repetiu que o Irão terá de renunciar às suas actividades nucleares mais sensíveis para os Estados Unidos aceitarem discutir com Teerão num quadro multilateral.