Confinamento em Espanha continuará "pelo menos" mais duas semanas
Madrid, 12 abr 2020 (Lusa) - O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou hoje que a fase de confinamento continuará, "pelo menos", durante mais duas semanas e avançou que o regresso à normalidade no país será progressivo e cauteloso.
"Não estamos a entrar na segunda fase" porque "o estado de alarme continua e o confinamento geral continua", disse o chefe do executivo de Espanha na conferência de imprensa realizada hoje por videoconferência desde o Palácio da Moncloa, após a realização de uma videoconferência com os presidentes regionais.
Sánchez também não descartou a possibilidade de manter ou reforçar as restrições atuais, quando a extensão do estado de alarme terminar, no dia 26 de abril.
Segundo o chefe do Governo espanhol, tudo dependerá da evolução da pandemia que, até hoje, já matou cerca de 17.000 pessoas no país.
O primeiro-ministro assinalou, no entanto, que existem dados "encorajadores" que confirmam que foram dados os "primeiros passos" decisivos "para uma vitória na luta contra a covid-19".
Sanchez também afirmou hoje que o executivo que lidera garantirá a proteção e a segurança dos trabalhadores, que receberão máscaras para regressarem aos seus postos de trabalho.
"Os trabalhadores que vão recuperar a sua atividade laboral irão contar com essa proteção recomendada", disse Sánchez na entrevista coletiva por videoconferência, na véspera do retorno dos funcionários às atividades consideradas não essenciais.
A distribuição das máscaras para proteção individual será feita através das forças e corpos de segurança do Estado, indicou.
Na conferência de imprensa também avançou a sua intenção de implementar a chamada renda mínima vital "o quanto antes", uma iniciativa que responde a um acordo da legislatura firmado entre as duas forças políticas que compõem o Governo (socialistas e Unidas Podemos, extrema-esquerda) já antes do início da pandemia, e para o qual espera ter o apoio de agentes sociais e de forças políticas.
O executivo de Espanha também está a preparar outras medidas nos setores económico e social para a recuperação futura do país, objetivo pelo qual mais uma vez Sánchez lançou um apelo à unidade e à "diminuição urgente" da tensão política.
Disse esperar que, até ao final da próxima semana, seja realizada uma primeira reunião para promover novos `Pactos de La Moncloa`, que lancem as bases para a reconstrução do país.
"Prometo trabalhar nisso. A redução da tensão política deve começar agora a abrir caminho para a união política" e nessa união, disse Sánchez, devem estar todos, incluindo o PP, como a principal força da oposição.
O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou mais de 109 mil mortos e infetou quase 1,8 milhões de pessoas em 193 países e territórios.
Em Espanha, as autoridades sanitárias apontam 16.972 mortos e 166.019 casos de infeção.