Confrontos armados alastram na capital da Jamaica
A violência tomou conta das ruas de Kingston, capital da Jamaica, depois de as autoridades terem assaltado o quartel-general de um alegado barão da droga procurado pelos Estados Unidos. Tiroteios entre a polícia e membros de gangues provocaram pelo menos três mortos e o Governo jamaicano viu-se forçado a decretar o Estado de Emergência.
O alegado barão da droga Christopher "Dudus" Coke encontra-se, supostamente, entrincheirado no complexo habitacional de Tivoli Gardens, nos subúrbios de Kingston, desde que o Governo jamaicano assinou, na semana passada, uma ordem de extradição para os Estados Unidos.
Mais de 1000 soldados e polícias, apoiados por helicópteros militares, lançaram segunda-feira à tarde um ataque contra o local que se encontra protegido por barricadas de arame farpado e é defendido por dezenas de gangsters fortemente armados.
Os confrontos alastraram também a outras zonas pobres da capital da Jamaica, onde Coke é visto, por muitos, como um moderno Robin dos Bosques. Vários gangues aliados do traficante pegaram em armas para tentar impedir a extradição. Esquadras da polícia foram crivadas de balas por homens armados com espingardas automáticas.
Paradeiro desconhecido
Até ao momento não se sabe do paradeiro de Christopher "Dudus" Coke , nem foi confirmado se se encontra no interior de Tivoli Gardens, ou se terá conseguido fugir para outro ponto do país.
As autoridades confirmam que, desde domingo, já morreram pelo menos dois agentes da polícia e um soldado e outros seis militares ficaram feridos, mas o número de mortos poderá ser muito superior pois testemunhas falam de corpos nas ruas e não estão ainda contabilizadas as vítimas entre os residentes de Tivoli Gardens.
O Governo jamaicano declarou o Estado de Emergência em Kingston e vários países estrangeiros avisaram os seus cidadãos para que evitem viajar até à cidade. Algumas companhias aéreas cancelaram também os seus voos com destino e origem na capital da Jamaica.
Coke é procurado pela justiça norte-americana que o considera um dos mais perigosos traficantes de droga e de armas do mundo. É acusado entre outras coisas de chefiar os "Shower Posse", um gangue que assassinou centenas de pessoas durante as "guerras da cocaína" nos anos 80.
Influências politicas
Durante vários meses o Governo jamaicano tinha-se recusado a extraditar o traficante, alegando que as acusações dos Estados Unidos se baseavam em escutas ilegais. Um dos possíveis motivos para esta resistência deve-se ao facto de Coke ser um apoiante do Partido Trabalhista da Jamaica, actualmente no poder, e de deter grande influência na região eleitoral que o primeiro-ministro Bruce Golding representa
Eventualmente, e face às pressões internacional e domésticas, Golding acabou por se ver obrigado assinar a ordem de extradição e com isso desencadeou a tempestade nas ruas.
O tráfico da droga está profundamente arreigado na Jamaica. O país é, actualmente, o maior produtor de Marijuana da região e os gangues ligados ao negócio transformaram-se em poderosas organizações mafiosas, envolvidas no tráfico internacional de armas.
Esta actividade também deu origem a uma das maiores taxas de assassínio do mundo. No ano passado, a Jamaica registou cerca de 1660 homicídios numa população que é de apenas 2,8 milhões de habitantes.