Confrontos reacendem–se e provocam dezenas de mortes em Kiev

O sangue voltou a correr esta manhã na capital da Ucrânia pondo fim à frágil trégua decretada ontem entre o governo e os manifestantes. O reacender dos confrontos na praça Maidan já provocou nas últimas horas dezenas de mortos entre manifestantes e polícias, no momento em que três ministros da União Europeia estão reunidos com o presidente ucraniano em Kiev para tentar conseguir o fim da violência.

RTP /
Maks Levin, Reuters

Os confrontos terão recomeçado depois de os manifestantes terem investido para recapturar um dos cantos da praça Maidan que tinha sido ocupada ontem pela polícia de choque.

Os manifestantes bombardearam as forças de segurança com cocktails molotov e pedras, e a policia respondeu com canhões de água.
Tiros disparados
Ouviram-se também vários disparos, embora não se saiba quem foi responsável já que ambos os lados se acusam mutuamente de utilizar armas de fogo.

Anteriormente, testemunhas tinham visto dois veículos blindados a caminho da praça que está ocupada pelos manifestantes praticamente desde o inicio dos protestos há dois meses e meio.

O edifício do parlamento e a sede do governo foram evacuados por medida de segurança .

Jornalistas estrangeiros contam ter visto dezenas de corpos em vários pontos da praça, vestidos à civil. Um número indeterminado de feridos procurou tratamento nos hospitais de campanha improvisados instalados pelos manifestantes.
Oposição acusa presidente de "provocação deliberada"
Os três lideres da oposição ucraniana emitiram entretanto um comunicado conjunto em que acusam o poder de ter deliberadamente recorrido à provocação para relançar a violência nas ruas.

“O retomar dos confrontos em Maidan, durante a trégua anunciada é uma provocação deliberada do poder “, que segundo os três líderes foi lançada para coincidir com a presença em Kiev ministros dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Polónia e França.

Os três responsáveis europeus deslocaram-se à Ucrânia para tentar relançar o processo negocial entre o presidente ucraniano e os líderes da oposição.

A reunião dos ministros europeus com Ianukovich chegou a ser dada como cancelada por razões de segurança mas acabou por verificar-se e ainda estava a decorrer no momento em que este artigo foi escrito.

Esta quinta-feira, está prevista uma reunião em Bruxelas entre os ministros europeus dos Negócios Estrangeiros e a responsável pela diplomacia europeia Catherine Ashton. A agenda deverá ser dominada pela discussão de possíveis sanções à Ucrânia, que poderão incluir a proibição de venda de equipamento utilizado para repressão a manifestações.
Rússia pressiona Ianukovich para repor a ordem
Em Moscovo, o primeiro-ministro Russo pronunciou-se entretanto sobre a situação.

Utilizando palavras invulgarmente duras, Dmitri Medvedev disse que a Rússia só poderá ter relações plenas com um poder “que defenda os interesses do Estado” e não com um poder “que se presta a servir de capacho”

“É preciso que os nossos parceiros demonstrem ter fibra, que o poder em exercício na Ucrãnia seja legítimo e eficaz, que não sirva para que limpem nele os pés como se fosse uma serapilheira” disse Medvedev numa reunião de ministros.

“O poder deve concentrar-se na defesa das pessoas, das forças da ordem que preservam os interesses do Estado” acrescentou o primeiro-ministro russo.

Moscovo quer manter a Ucrânia na sua órbita e tem vindo a acusar os governos ocidentais de serem responsáveis pela violência na Ucrânia ao apoiar a oposição , que aos olhos do Kremlin, é composta por radicais e "terroristas".
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