Confrontos regressam à fronteira entre a Tailândia e o Camboja

Os soldados tailandeses e cambojanos cruzaram fogo durante 40 minutos na região do templo de Preah Vihear. Morreram duas pessoas e sete ficaram feridas. Os responsáveis militares vão reunir quinta-feira para debater a situação na área disputada há séculos pelos dois países.

Raquel Ramalho Lopes, RTP /
O Governo tailandês garante que as suas tropas vão continuar junto à fronteira com o Camboja, mas assegurou que não irá tomar a iniciativa de recorrer à força Rungroj Yongrit/EPA

O governo de Phnom Pen confirmou as mortes de dois dos seus homens e ferimentos em outros dois, assim como as autoridades de Banguecoque confirmaram as baixas em cinco militares. O ministro cambojano dos Negócios Estrangeiros referiu ainda a captura de 10 soldados tailandeses e garante que estes estão a ser “bem tratados”. Contudo, o exército tailandês não confirma o seu desaparecimento.

“Consideramos que este foi um incidente entre soldados e não uma invasão da Tailândia”, comentou o governante do Camboja. “É um bom sinal que possamos começar a resolver este conflito”, acrescentou, referindo-se à reunião de amanhã.

O primeiro-ministro tailandês considerou que se tratou de um tiroteio de “pequena escala”. “Camboja é um bom vizinho. Vamos por meios pacíficos. Se há violência, temos de negociar”, disse.

A troca de tiros e lançamento de granadas desta quarta-feira foi o incidente mais grave desde Julho, mês em que a UNESCO reconheceu o templo hindu de 900 anos como Património Mundial da Humanidade, o que reacendeu a disputa travada há séculos pelo território circundante.

O Tribunal Internacional da Haia decidiu, em 1962, atribuir ao Camboja a soberania do templo, mas o acesso ao mesmo faz-se por território controlado pela Tailândia.

A área em torno do templo (4,6 quilómetros quadrados), que está minada em virtude da luta do Governo de Phnom Pen contra os Khmer Vermelhos, continua a ser alvo de diferendo. Em Julho, um movimento de oposição ao Governo de Banguecoque começou a fazer do território a sua causa, incentivando uma atitude nacionalista.
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