Conselheiro de Macron reuniu-se com a política mais extremista do clã Le Pen

Bruno Roger-Petit, conselheiro do presidente francês, esteve reunido, num almoço por iniciativa sua, com Marion Maréchal, a sobrinha da líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen. O encontro surge num contexto de críticas ao presidente Emmanuel Macron pela sua deriva favorável a algumas posições da extrema-direita.

RTP /
Reuters

O almoço com Marion Maréchal partiu de um convite de Bruno Roger-Petit e teve lugar já em 14 de outubro, no restaurante parisiense Le Dôme, segundo informações confirmadas pela Agência France Presse junto dos dois comensais.

Marion Maréchal explicou que o conselheiro de Macron a convidara por ter "curiosidade" em lhe falar e que lhe fizera chegar o convite através de um "amigo comum". Sobre o teor da conversa havida durante o repasto, Maréchal nada disse e afirmou mesmo que nada havia a relatar.

Roger-Petit não se coibiu de afirmar que fora ele a pagar o almoço, tendo afirmado que propusera o encontro "a título pessoal". O conselheiro presidencial adiantou, contudo, algo mais sobre o conteúdo da conversa entre ambos: sobre a situação política, disse, "tive de constatar que estávamos em desacordo".

O Palácio do Eliseu escusou-se a emitir qualquer comentário de carácter mais oficial sobre o encontro, reiterando que ele fora organizado por Roger-Petit a título inteiramente "pessoal".

Marion Maréchal, neta de Jean-Marie Le Pen, tida por próxima das posições políticas deste, afastou-se da tia, Marine Le Pen e do partido que esta dirige, o Reagrupamento Nacional (RN), criticando-o pela atenuação de algumas das arestas mais salientes no discurso do velho extremista que era Le Pen-pai.

O encontro entre um conselheiro de Macron e uma figura à direita da extrema-direita está a ser criticado, agora que veio a público, por várias personalidades da política francesa. 

O vice-presidente da Assembleia Nacional Hugues Renson comentu no twitter que, "com a extrema-direita, não se discute, não se transige". E acrescentou: "Não posso aceitar a banalisação da intolerância e do ódio".

Astrid Panosyan, uma das fundadoras do partido de Macron, afirmou, por seu lado: "Há pessoas que não 'sondamos' a 'título pessoal', combatemo-las a título colectivo. Marion Maréchal e toda a sua clique incluem-se claramente entre essas".

A polémica em torno do almoço com a política de extrema-direita surge no contexto da vaga de manifestações contra a legislação promovida igualmente por Macron, no sentido de criminalizar a filmagem de violências policiais.

Mas, para além desse pano de fundo mais genérico, existe a entrevista de fundo concedida pelo presidente francês ao semanário L'Express, e as respostas de Macron que deixaram à beira de um ataque de nervos mesmo os dirigentes mais conservadores do CRIF (Conselho Representativo das Instituições Judaicas de França).

Nessa entrevista, Macron procurara reabilitar parcialmente o marechal Philippe Pétain, principal figura do colaboracionismo francês durante a ocupação nazi, e Charles Maurras, o principal ideólogo fascista da França entre as duas guerras do século passado.
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