Conselho Administração do FMI reúne-se informalmente

O Conselho de Administração do Fundo Monetário Internacional (FMI) vai reunir-se "informalmente" para analisar as consequências da detenção do seu diretor-geral, Dominique Strauss-Kahn, preso ontem em Nova Iorque e acusado de “agressão sexual, sequestro e tentativa de violação”. Em França a mulher do líder do FMI já veio dizer que não acredita "nem por um segundo" nas acusações lançadas contra o seu marido.

RTP /
A mulher de Dominique Strauss-Kahn não acredita nas acusações lançadas contra o seu marido Horacio Villalobos/EPA

O FMI fez saber hoje em comunicado que "está previsto que o conselho de administração tenha uma reunião informal para se inteirar dos desenvolvimentos relativos ao diretor-geral" que ontem foi preso e acusado de “agressão sexual” em Nova Iorque quando se preparava para viajar em direção a Paris.

"De acordo com os procedimentos normais do FMI, o diretor-geral adjunto John Lipsky, vai assumir o cargo de diretor-geral interino, quando Dominique Strauss-Kahn não estiver em Washington, pelo que Lipsky vai presidir à reunião informal do conselho de administração de hoje", pode ler-se na nota do FMI.

Ainda segundo o FMI será a diretora-geral adjunta que supervisiona o trabalho do FMI em alguns países da União Europeia, Nemat Shafik, a participar na reunião do Eurogrupo de amanhã em Bruxelas, encontro onde deveria estar presente Strauss-Kahn juntamente com os ministros das Finanças da zona euro.

Na reunião de hoje do conselho de administração do FMI, embora informal, os representantes de 24 países e grupos de países, podem abordar a questão de instaurar um processo disciplinar contra o diretor-geral em caso de "violações graves" do código de conduta dos funcionários da instituição.

Recorde-se que ontem Dominique Strauss-Kahn foi acusado de agressão sexual, sequestro e tentativa de violação contra uma jovem mulher de 32 anos num quarto de hotel em Nova Iorque, tudo isto depois de ter sido desembarcado de um avião da Air France, com destino a Paris que esteva a poucos minutos de descolar.

Já se sabe que o diretor-geral do FMI nega todos os factos de que é acusado e vai declarar-se inocente, segundo já fez saber o seu advogado em Washington, William Taylor.

Mulher não acredita nas acusações
Dominique Strauss-Kahn, o ainda diretor-geral do FMI, está no comissariado da polícia de Harlem, em Nova Iorque, onde deverá permanecer até comparecer, muito provavelmente ainda hoje, em Tribunal onde o juiz deverá decidir se Strauss-Kahn fica em prisão preventiva ou se pagará uma forte caução, que será devolvida se responder às convocações judiciais, para ficar em liberdade a aguardar julgamento, esta última a mais provável.

Quem já julgou Dominique Strauss-Kahn foi a sua mulher que já veio dizer que não acredita "nem por um segundo" nas acusações lançadas contra o seu marido.

No entanto, a comparência Strauss-Kahn em Tribunal será apenas a primeira etapa de um processo judicial que pode ditar até 20 anos de prisão para o patrão do FMI já que o sistema inquisitório norte-americano é muito diferente do adotado em França.

Na provável audiência de hoje, o juiz vai ainda decidir se convoca ou não um júri, composto entre 16 a 23 cidadãos que depois de ouvirem a posição do procurador e da defesa vão decidir a sua culpa formal.

Uma vez aberto o processo judicial, procurador e defesa vão comparecer perante 12 jurados e um juiz sendo que o acusado, as testemunhas e o queixoso vão ser interrogados pelas duas partes e depois o júri decidirá, por unanimidade, sobre a culpa ou inocência do acusado, cabendo ao juiz determinar, se necessário, a pena.
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