Conselho de Ética decide aprofundar investigações contra presidente do Senado brasileiro

O Conselho de Ética do Senado vai definir um cronograma para aprofundar as investigações do caso que envolve o presidente da instituição, Renan Calheiros, após novo adiamento da votação do processo e renúncia de mais um relator.

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Na reunião de quarta-feira, vários senadores manifestaram a necessidade de esclarecimentos sobre os resultados da perícia feita pela Polícia Federal em documentos apresentados por Calheiros em sua defesa.

Com esses documentos, o presidente do Senado queria provar que os pagamentos feitos à sua amante, com quem tem uma filha de três anos, eram oriundos de recursos próprios, nomeadamente da venda de gado de suas fazendas no Estado de Alagoas, e não foram efectuados pela construtora Mendes Júnior, conforme denúncia da revista "Veja" que deflagrou o escândalo.

O caso ganhou dimensão maior com outra reportagem, desta vez da TV Globo, em que alegados compradores de gado de Calheiros negaram ter feito negócios com o senador.

As 20 páginas assinadas por três peritos da PF dizem que as notas fiscais apresentadas por Renan Calheiros contêm uma série de "inconsistências formais" e que algumas apresentam rasuras.

Há, por exemplo, divergências quanto à quantidade de gado vendido, além de que não é possível afirmar que as negociações realmente ocorreram.

Senadores da oposição e aliados do governo insistiram na necessidade de ouvir o presidente do Senado, que se ofereceu para ir hoje ao Conselho de Ética prestar todos os esclarecimentos.

Por conta do adiamento, o novo relator do processo, senador Wellington Salgado, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), o mesmo de Calheiros, renunciou ao cargo menos de 24 horas após ter substituído o senador Epitácio Cafeteira, que se encontra de baixa médica.

"Desisto de ser relator porque não sinto nesse conselho vontade de julgar alguém por violação da ética. Não faz parte dos meus valores entrar nesse jogo", esclareceu.

O adiamento da votação do processo representa um desgaste ainda maior para Renan Calheiros, cada vez mais pressionado a deixar a Presidência do Senado.

Calheiros afirmou, entretanto, que não vai entregar o cargo.

"Sou um homem de luta. Renúncia é uma palavra que não existe no meu dicionário", afirmou Renan Calheiros aos jornalistas na quarta-feira.


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