Conselho de Segurança da ONU aprova mais sanções contra Coreia do Norte

por RTP

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou por unanimidade um novo conjunto de sanções, proposto pelos EUA, interditando as exportações têxteis e reduzindo o seu abastecimento em petróleo e gás.

Esta oitava série de sanções, apoiada pela China e Federação Russa, que são os apoios mais próximos da Coreia do Norte, visa punir este país pelo seu ensaio nuclear de 3 de setembro.

Com as sanções, cada vez mais severas, a ONU pretende forçar os dirigentes de Pyongyang a negociar os seus programas de armamento nuclear e convencional, considerados ameaçadores para a estabilidade mundial.

No entanto, as sanções impostas à Coreia do Norte são menos drásticas do que pretendia Washington, que queria uma proibição total de venda de crude, produtos petrolíferos refinados e gás à Coreia do Norte por parte dos Estados-membros da ONU.

No entanto, Rússia e China, com direito de veto no Conselho de Segurança, manifestaram a sua oposição a alguns dos pontos do projeto de resolução inicial elaborado pelos Estados Unidos, com o documento final a resultar mais ‘suavizado’ após negociações.

As medidas agora tomadas, somadas às sanções anteriores, que fixaram um embargo às exportações de carvão, ferro, peixe e marisco, representam uma perda de 2.700 milhões de dólares (cerca de 2,26 mil milhões de euros) para a Coreia do Norte. Este valor corresponde a 90 por cento das vendas ao estrangeiro, segundo cálculos apresentados no ano passado pelos Estados Unidos.

As sanções impostas na segunda-feira estendem-se ainda aos norte-coreanos empregados fora do país, aos quais não serão concedidos vistos de trabalho, o que os impedirá de enviar remessas dos rendimentos para o país de origem.
"Não tolerar o desenvolvimento nuclear"

A Coreia do Sul e o Japão afirmaram esta terça-feira que as novas sanções impostas a Pyongyang pela ONU representam uma advertência de que o país arrisca um isolamento total se prosseguir com os programas nuclear e de mísseis.

“A última resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas representa o compromisso renovado da comunidade internacional de não tolerar o desenvolvimento nuclear e de mísseis da Coreia do Norte”, assinalou o gabinete da presidência sul-coreana.

“Isto deixa clara a vontade da comunidade internacional para elevar a pressão a um novo nível e levar a Coreia do Norte a mudar as suas políticas”, afirmou, por seu lado, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, também citado em comunicado.

Este novo conjunto de sanções – a oitava – envia “uma séria advertência ao regime norte-coreano de que se prosseguir com as suas incessantes provocações apenas conseguirá aprofundar o seu isolamento económico e ficar sob maior pressão diplomática”, realçou Seul.

“Se a Coreia do Norte continuar por este caminho ficará progressivamente mais isolada do resto do mundo e será incapaz de ter um futuro próspero”, reiterou o chefe de Governo japonês.
Bomba H norte-coreana
O Conselho de Segurança da ONU aprovou esta resolução na sequência do sexto ensaio nuclear efetuado por Pyongyang em 3 de setembro. A Coreia do Norte afirma ter testado com sucesso uma bomba de hidrogénio, conhecida como ‘bomba H’ miniaturizada, apta a ser colocada num míssil balístico intercontinental (ICBM).

O ensaio com uma bomba de hidrogénio foi o mais potente realizado pelo regime norte-coreano e suscitou a condenação da comunidade internacional, aumentando a tensão na região.

Em julho, a Coreia do Norte já tinha realizado dois disparos de ICBM.

Estas atividades nucleares e balísticas violam as resoluções das Nações Unidas que com sanções, cada vez mais severas, pretendem forçar os dirigentes de Pyongyang a negociar os programas de armamento nuclear e convencional, considerados uma ameaça para a estabilidade mundial.

c/ Lusa