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Conselho dos Guardiães do Irão estuda 646 queixas de irregularidades eleitorais

Conselho dos Guardiães do Irão estuda 646 queixas de irregularidades eleitorais

A mais alta instância legislativa do Irão afiançou esta quinta-feira que está a analisar 646 queixas apresentadas por três candidatos batidos nas eleições de 12 de Junho. Ao sexto dia de protestos contra a recondução de Mahmud Ahmadinejad, o Conselho dos Guardiães convocou o principal adversário do Presidente para uma reunião no próximo sábado.

RTP /
Mousavi apelou à participação dos seus apoiantes numa marcha de homenagem a sete manifestantes abatidos em Teerão Abedin Taherkenareh, EPA

Está em curso "uma análise cuidadosa" de 646 queixas de irregularidades nas eleições apresentadas por Mir Hussein Mousavi, Mehdi Karroubi e Mohsen Rezai. A garantia é avançada pelo porta-voz do poderoso Conselho dos Guardiães, Abbasali Khadkhodai.

"Decidimos convidar pessoalmente os estimados candidatos e aqueles que têm queixas relacionadas com as eleições a participarem numa sessão extraordinária do Conselho dos Guardiães no sábado", indicou em Teerão o porta-voz do pilar legislativo da República Islâmica.

Formado por seis clérigos e outros seis juristas, o Conselho dos Guardiães havia já prometido proceder a uma nova contagem dos votos das circunscrições mais polémicas, embora tenha descartado a possibilidade de atender às reivindicações da candidatura de Mir Hussein Mousavi, que exigira a repetição do processo.

A causa do adversário de Mahmud Ahmadinejad encontrou menos eco no seio da Assembleia de Peritos, o corpo de clérigos responsável pela nomeação do Guia Supremo do regime. Despido de qualquer referência à contestação dos resultados do escrutínio, um comunicado daquele órgão circunscreve o rescaldo da jornada eleitoral aos números da participação: "Saudamos a presença entusiástica, épica e alerta de 85 por cento do povo revolucionário".

Ainda assim, é na Assembleia de Peritos que os apoiantes de Mousavi depositam mais esperanças. A suportar a fé do campo moderado está o facto de o corpo de clérigos ser chefiado pelo antigo Presidente Akbar Hashemi Rafsanjani, um confesso aliado político de Mir Hussein Mousavi e rival do Presidente Mahmud Ahmadinejad nos corredores do poder político e ideológico do regime.

Sexto dia de protestos

Pelo sexto dia consecutivo, as ruas da capital iraniana foram invadidas por dezenas de milhares de pessoas congregadas sob a bandeira de Mir Hussein Mousavi, numa vaga de protestos que só encontra semelhanças no terramoto social da Revolução Islâmica de 1979.

Entregues a uma marcha silenciosa, segundo os relatos de testemunhas citadas pela France Presse, os apoiantes de Mousavi envergaram roupas negras. Muitos empunharam flores brancas nas mãos, num gesto de homenagem aos sete manifestantes abatidos na segunda-feira pelos elementos da milícia islamista Bassidj. A mesma força que lançou, nas últimas horas, um apelo à participação dos seus militantes nas orações de sexta-feira em Teerão, onde o ayatollah Ali Khamenei, Guia Supremo do Irão, fará um sermão muito aguardado pelos diferentes flancos do combate político.

O próprio Hussein Mousavi integrou a marcha de protesto ao lado da sua mulher, Zahra Rahnavard. Impedidas de cobrir os acontecimentos em Teerão, as agências internacionais apoiam-se em testemunhas locais. Uma dessas fontes adiantou à agência francesa de notícias o conteúdo dos cartazes agitados pela multidão em auxílio do homem que se recusa a aceitar os quase dois terços de votos atribuídos a Mahmud Ahmadinejad: "Não oferecemos mortos para aceitar urnas traficadas"; "Escrevemos amor. Eles leram ditadura".

Na edição de quinta-feira, o jornal reformista Etemad Melli preenche a primeira página com a notícia de um "movimento silencioso em Teerão".

Na véspera do sermão do Guia Supremo, o regime acrescentou munições à guerra da informação com a notícia de uma alegada conspiração, com laços externos, para cometer atentados à bomba em mesquitas de Teerão no dia das presidenciais. A estação oficial de televisão IRIB citou um dos presumíveis operacionais do plano terrorista, que teria isolado os serviços secretos dos Estados Unidos e do Iraque como contrafortes logísticos na conspiração.

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