Conselho Europeu avalia realização de cimeira especial devido ao naufrágio

A União Europeia vai organizar uma reunião de urgência com os ministros do Interior e dos Negócios Estrangeiros por causa do naufrágio da embarcação que transportava 700 imigrantes no Mediterrâneo. Entretanto, o presidente do Conselho Europeu está a ponderar a realização de uma cimeira especial, adianta a Reuters.

Ana Sofia Rodrigues, RTP /
Migrantes desembarcam no porto siciliano de Augusta, 16 de abril de 2015 Antonio Parrinello, Reuters

Cerca de 700 imigrantes estão desaparecidos no Mediterrâneo, depois de a traineira onde viajavam com destino a Itália ter naufragado a 60 milhas da costa da Líbia. Poderá ser o pior acidente no Mediterrâneo envolvendo imigrantes.

O primeiro-ministro italiano Matteo Renzi pediu este domingo uma cimeira europeia urgente.Renzi, que falava em conferência de imprensa, disse esperar que a reunião tenha lugar até ao final da semana. "Tem que ser uma prioridade", afirmou.

"Não estamos a falar de coisas banais, mas de vidas humanas", disse Renzi, considerando que o tráfico de pessoas é "um flagelo" para a Europa.

Em comunicado, a organização Save the Children já tinha pedido uma reunião de líderes dos países da União Europeia (UE) num prazo máximo de 48 horas para análise da situação relacionada com a imigração.
Conselho Europeu avalia realização de cimeira
O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk está a considerar avançar com uma cimeira especial dos líderes da União Europeia. O porta-voz do Conselho Europeu garantiu à Reuters que a decisão será tomada depois de Tusk efetuar consultas com os países-membros.

O próprio Donald Tusk colocou uma mensagem no Twitter, afirmando ter falado com o primeiro-ministro Muscat e estar em contacto com os líderes europeus, Comissão Europeia para perceber como pode prestar ajuda nesta situação.


O Conselho Europeu é composto pelos Chefes de Estado ou de Governo dos países membros da União Europeia, juntamente com o Presidente da Comissão Europeia. É no âmbito das reuniões do Conselho Europeu, denominadas cimeiras, que os dirigentes da UE se encontram para tomarem decisões sobre as grandes prioridades políticas e iniciativas da UE. Regra geral, existem quatro cimeiras por ano, presididas por um presidente permanente.
Itália pede “para não ser deixada sozinha”
Já este domingo, o primeiro-ministro italiano veio alertar que a Itália “trabalha muitas vezes sozinha” para salvar migrantes no Mediterrâneo. Matteo Renzi defende que não o país não pode ficar sozinho a solucionar este drama, não só no que toca às operações de salvamento como no combate ao tráfico de seres humanos.

Renzi, ao fazer ao meio da tarde deste domingo um balanço sobre as operações de socorro, confessava que até ao momento era impossível avançar com o número total de mortes que este naufrágio provocou.

O primeiro-ministro italiano é ainda incisivo quanto aos responsáveis por este naufrágio. Garante estar “determinado” a encontrar os traficantes responsáveis e a levá-los perante a justiça.

O primeiro-ministro sublinha que apenas as missões de busca e salvamento não são suficientes para salvar vidas. O problema apenas poderá ser resolvido através da prevenção da atividade criminal de tráfico de pessoas e impedindo os barcos cheios de imigrantes de sair da Líbia.

A Itália tem sido o país mais atingido pela entrada de imigrantes ilegais. Avançou, em finais de 2013 com uma grande operação, a Mare Nostrum, de patrulhamento e resgate.
Europa deve agir, alerta Presidente francês
O presidente francês François Hollande, que tinha sugerido a realização de uma reunião de urgência ao nível da União Europeia, afirmou que esta pode vir a ser uma das "maiores catástrofes" dos últimos anos no Mediterrâneo, caso se venha a confirmar o balanço provisório de vítimas.

O chefe de Estado francês disse ainda a Europa deve agir face ao aumento da "situação dramática" em relação à imigração que se verifica desde o início do ano.

Após ter contactado com o primeiro-ministro italiano, o presidente francês disse à estação de televisão Canal+ que é necessário reforçar o número de navios de salvamento e dos meios aéreos no Mediterrâneo.

Para François Hollande são precisas medidas de combate contra as redes de tráfico de imigração irregular, organizações que comparou a "terroristas".

"Os traficantes que metem as pessoas nos barcos são traficantes. São terroristas porque eles sabem perfeitamente que estas embarcações não têm condições e que podem naufragar pondo centenas de pessoas em perigo", acrescentou Hollande.

Alemanha adverte que “traficantes devem ser travados”
O ministro do Interior alemão defende que a luta contra o tráfico de pessoas deverá ser o “ponto central” de uma nova política de migração. 


Thomas de Maiziere defende que “não há respostas simples”, mas que os constantes naufrágios obriga a uma resposta alargada de toda a Europa, pedindo melhor coordenação entre os países-membros da União Europeia, bem como com os países de onde estas pessoas fogem e por onde passam durante a fuga.

(c/Lusa)

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