Conselho Social para a Venezuela simplifica processos para acelerar ajuda a portugueses

O Conselho Social para a Venezuela está a simplificar os processos de pedidos de ajuda, a Lisboa, de portugueses em situação de vulnerabilidade, para que sejam ajudados mais rapidamente, disse hoje o adido social de Portugal em Caracas.

Lusa /

"As ajudas sociais aumentaram em quase 100%, desde o primeiro Conselho Social (...) o processo para pedir ajuda a Portugal está a ser mais ágil. Estamos a tirar requisitos que anteriormente eram necessários, para que os processos sejam mais rápidos e as ajudas cheguem mais depressa", disse.

William Figueira falava à Lusa, em Caracas, sobre as propostas recolhidas durante a segunda reunião do Conselho Social que decorreu na última semana no Centro Social Madeirense de Valência [centro do país] e no qual participaram representantes das autoridades diplomáticas e consulares, conselheiros e diversas organizações da comunidade luso-venezuelana.

O adido social explicou que foram retomados alguns dos temas abordados na primeira reunião do Conselho Social, quando o foi instalado pela primeira vez, em setembro, em Caracas, pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Paulo Cafôfo, entre eles a saúde.

"O grande tema que sempre surge é a questão da saúde, das pessoas mais vulneráveis, entre os nossos avós, porque sabemos que temos uma população envelhecida", disse sublinhando tratar-se de um tema sensível que o sensibiliza muito.

Explicou que a primeira geração de portugueses que emigraram para território venezuelano ronda os 70 anos de idade e que há compatriotas "em situação precária", alguns dos quais recebem apoio financeiro dos filhos que emigraram da Venezuela, mas que precisam de atenção em saúde, física e mental.

"Falou-se do bom que tem sido a rede médica de atenção à comunidade portuguesa [criada por Portugal] e da necessidade de a expandir, de aumentar a quantidade de médicos", disse.

Entre as novas propostas, afirmou, está também a criação de uma base de dados dos beneficiários de ajudas das instituições luso-venezuelanas, "não para centralizar as ajudas, mas para identificar quem está a ajudar a quem, se há pessoas a pedir ajuda em mais de uma organização ao mesmo tempo".

Foi ainda proposto que os consulados criem e divulguem uma base de dados com informações para jovens que queiram regressar a Portugal e de oportunidades de empregos.

Segundo o adido social foi ainda proposto o desenvolvimento de projetos específicos para portugueses em situação de vulnerabilidade e para ajudar as mulheres a fazer trabalhos produtivos para que não fiquem dependentes das ajudas que recebem.

William Figueira recordou que o Conselho Social "é uma prova piloto", que existe apenas na Venezuela, e sublinhou a solidariedade local e disponibilidade "das pessoas, associações e conselheiros" luso-venezuelanos.

Em 01 de setembro, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas instalou, em Caracas, o Conselho Social para a Venezuela, iniciativa que procura facilitar a resposta de Lisboa na atenção à comunidade e que espera seja replicada noutros países.

"Achei que era o momento de criarmos um Conselho Social. (...) Porque, além das medidas que nós implementamos, precisamos de congregar esforços (...) há as medidas do Governo e há uma sociedade civil, um grupo de pessoas, de associações, de centros, que no seu dia a dia também têm um aspeto de solidariedade que importa aqui realçar", explicou à Lusa.

Segundo Paulo Cafôfo, o Conselho Social tem a "missão de reforçar apoios, mas também de agilizar esses apoios, identificando necessidades, propondo medidas e implementando também no terreno ações que venham a ser decididas".

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