Constituinte de Maduro, "maior fraude da história" da América Latina
Luis Almagro, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, diz que a denúncia da Smartmatic confirma a “maior fraude eleitoral da América Latina”. A empresa responsável pelo sistema de votos da Venezuela confirmou esta quarta-feira que pelo menos um milhão de votos foram manipulados na eleição de domingo. O responsável pela Comissão Nacional de Eleições venezuelana admite que o escrutínio para a Assembleia Constituinte “não contou com os controlos requeridos”.
Se confirma el fraude electoral más grande de la historia de latinoamerica en porcentaje y millones de votantes #Venezuela https://t.co/TK1mPDsQDj
— Luis Almagro (@Almagro_OEA2015) 2 de agosto de 2017
A relação entre Luis Almagro e Caracas foi tensa desde o início de mandato, em maio de 2015, com denúncias constantes por parte do secretário-geral ao Governo de Maduro. As críticas de parte a parte atingiram o auge em abril, quando o ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros anunciou a intenção de Maduro em abandonar o principal grupo económico e de cooperação daquela região.
No entanto, a saída da Venezuela da Organização dos Estados Americanos só poderá ficar consumada em dois anos.
As dúvidas da CNE
Luis Emilio Rondón, reitor do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), já tinha mostrado desconfiança em relação aos resultados na terça-feira, mas a declaração por parte da Smartmatic provocou novas críticas.
1. Tal como denuncié ayer las dudas sobre este proceso, que no contó con los controles requeridos para una elección, tienen asidero
— Rector Luis E Rondón (@RondonCNE) August 2, 2017
O responsável, um dos cinco reitores que lideram a CNE venezuelana, refere numa série de tweets que o processo eleitoral de 30 de julho “não contou com os controles requeridos numa eleição”.
Rondón convidou ainda aos restantes líderes da CNE para que respondessem com “seriedade” perante as acusações da Smartmatic e exigiu a publicação das atas de todas as mesas de voto.
O responsável ressalvou ainda que a CNE é “obrigada a realizar as auditorias” de forma a esclarecer “imediatamente" a situação perante o país.
Denúncia da Smartmatic
As reações de Almagro e de Rondón surgem na sequência da denúncia da Smartmatic, a empresa que gere as votações na Venezuela e que declarou esta quarta-feira ter existido uma “manipulação” dos dados de participação.
“Uma auditoria permitiria conhecer o número exato de participantes. Estimamos que a diferença entre a participação real e a participação anunciada pelas autoridades seja de pelo menos um milhão de votos”, indicou Antonio Múgica, responsável da empresa que está desde 2004 encarregue de proporcionar a plataforma tecnológica de votação e outros serviços necessários às eleições na Venezuela.
A companhia destaca que a eleição de domingo não contou com a presença de auditores da oposição a Maduro, considerados “fundamentais” pela Smartmatic para conferir legitimidade ao resultado eleitoral.
Segundo o Governo venezuelano, participaram mais de oito milhões de pessoas na votação de domingo, um número que foi contestado pela oposição e pelo Ministério Público.
Parlamento pede investigação
No seguimento da denúncia da Smartmatic, também o presidente do Parlamento venezuelano anunciou que vai requerer ao Ministério Público a investigação da alegada “manipulação” dos resultados eleitorais.
“Não ocorreu apenas uma fraude. É um crime que começa com o próprio chefe do poder eleitoral”, declarou Júlio Borges, durante uma conferência de imprensa no exterior do Parlamento
"Pelo menos um milhão de pessoas foram agregadas de maneira fraudulenta, há pessoas que votaram mais de uma vez, fora dos seus municípios e além disso não foram conferidas as caixas (com os boletins)", acrescentou.
Júlio Borges denuncia ainda os reitores do Conselho Nacional Eleitoral, por incorrerem "no delito de mentir e alterar o resultado eleitoral".
"Por isso queremos pedir (...) que seja relevado o resultado real. A empresa Smartmatic, que trabalha há mais de dez anos no nosso país, revelou a verdade e pôs a descoberto que os dados mostrados pelo CNE não coincidem com os refletidos no sistema", completou.