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Contaminação da água com cocaína altera o comportamento dos salmões
Os resíduos de cocaína que entram nos rios e lagos através das águas residuais estão a alterar o comportamento dos salmões. Foi o que demonstrou um estudo realizado por investigadores da Universidade Sueca de Ciências Agrícolas, destacado pelo jornal "The Guardian".
De acordo com os especialistas, ainda não é possível estimar com exatidão as consequências para as populações de peixes.
Na experiência, os cientistas inseriram implantes em juvenis de salmão do Atlântico que libertaram gradualmente cocaína e o seu principal metabolito, a benzoilecgonina, em concentrações consistentes com a poluição na natureza. Os investigadores equiparam os peixes com transmissores acústicos e libertaram-nos no Lago Vättern, onde os movimentos foram monitorizados durante dois meses por uma rede de sensores colocados à volta das margens.
Os salmões expostos tanto à cocaína como à benzoilecgonina comportaram-se de forma mais ativa do que o grupo de controlo. No final da experiência, os peixes expostos à cocaína nadaram cerca de cinco quilómetros a mais do que os outros, enquanto os salmões expostos à benzoilecgonina nadaram quase 14 quilómetros a mais. Por outro lado, era mais provável que se afastassem do local de libertação e penetrassem nas zonas mais a norte do lago.Ciência subestimou os efeitos da cocaína"Foi o metabolito, que se encontra em concentrações mais elevadas na natureza, que teve um impacto muito mais pronunciado no comportamento e nos movimentos dos peixes", afirmou o líder da investigação, Jack Brand. Por conseguinte, é importante que as pessoas tenham em conta os subprodutos da decomposição da cocaína. Caso contrário, a comunidade científica pode estar a ignorar muitos dos impactos ambientais a que os organismos estão expostos.
De acordo com os cientistas, os resultados sugerem que a poluição pode influenciar o local para onde os peixes se deslocam, onde procuram alimento e a facilidade com que são vítimas de predadores. De facto, mais movimento significa mais consumo de energia e mais tempo ao ar livre.
"Ainda não sabemos exatamente quais são as implicações, mas é óbvio que isso significa algumas perdas para os peixes. Podem ficar em pior estado ou ter de passar mais tempo a procurar alimento em zonas abertas, onde estão mais expostos a riscos", disse Brand.
Estes poluentes entram nos cursos de água principalmente através das águas residuais, por exemplo, quando os esgotos transbordam durante chuvas fortes ou por causa de ligações domésticas incorretas.
Os cientistas alertaram, em estudos anteriores, para o facto de a poluição da água causada por drogas e medicamentos comuns representar um risco significativo e crescente para a biodiversidade. Por isso, apelam às empresas farmacêuticas para que desenvolvam medicamentos que se decomponham mais facilmente no ambiente.
As preocupações, argumentam, são reforçadas por descobertas anteriores de peixes que mostram alterações comportamentais após exposição a drogas - por exemplo, trutas que mostram sinais de dependência de metanfetaminas e robalos que perdem o medo natural de predadores após a exposição a antidepressivos.
ČTK, kar / 21 abril 2026 12:16 GMT+1
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa