Contestatários exigem demissão de Mari Alkatiri e todo o governo
O porta-voz dos militares peticionários timorenses, Gastão Salsinha, exigiu hoje a demissão do primeiro- ministro Mari Alkatiri e de todo o governo de Timor-Leste, após uma reunião com os restantes líderes militares contestatários.
Em declarações à agência Lusa, o ex-tenente Gastão Salsinha ameaçou "organizar o povo em manifestações pacíficas", caso o primeiro- ministro permaneça no governo.
A exigência de demissão foi comunicada após a reunião entre líderes militares contestatários, que hoje se realizou em Ermera, mas não foi possível confirmar com os restantes participantes se se trata de uma reivindicação unânime.
Gastão Salsinha afirmou que a demissão do primeiro-ministro se deve seguir à recolha das armas ilegais e ao desarmamento geral, uma tarefa que atribui ao "Presidente Xanana Gusmão e às forças internacionais" presentes em Timor-Leste.
Segundo o ex-tenente, os participantes na reunião concordaram nestas duas exigências: o desarmamento geral, a cargo do Presidente da República e das forças internacionais, e a demissão de Mari Alkatiri e de todo o governo.
Além de Salsinha, participou na reunião o major Marcos Tillman e, inicialmente, o major Alves +Tara+, que saiu antes do final do encontro, por ter sido chamado pelo Presidente da República.
A saída prematura de Alves +Tara+ e o motivo foram confirmados por fontes próximas de Xanana Gusmão.
A agência Lusa não conseguiu confirmar a presença no encontro do major Alfredo Reinado.
De acordo com Gastão Salsinha, os líderes militares concordaram também numa separação dos contestatários.
Assim, as F-FDTL voltam a aquartelar-se em Mainaro, Alfredo Reinado volta a Maubessi e os peticionários concentram-se em Gleno, cerca de 40 quilómetros a sudoeste de Díli.
"Aceitamos esta separação para ser mais fácil controlar a posse das armas e o processo de desarmamento", afirmou Gastão Salsinha, em declarações à agência Lusa.
Antes desta reunião, os líderes militares encontraram-se com representantes das forças australianas, encontro do qual resultou a aceitação do acantonamento dos peticionários em Gleno.
Gastão Salsinha é o líder do grupo de ex-militares que se auto- denominam de "peticionários" e que se refugiaram nas montanhas após os confrontos de Díli no final de Abril.
Os ex-militares liderados por Salsinha foram os responsáveis pela manifestação de 24 de Abril na capital timorense, um movimento de protesto que, cinco dias depois degenerou em violentos confrontos.
Na base da convocação da manifestação e no texto da petição que assinaram figuram queixas de discriminação étnica com reflexos no acesso a promoções.
Os majores Alves +Tara+ e Marcos Tillman abandonaram no início de Maio, com o major Alfredo Reinado, a hierarquia de comando das Falintil- Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) por contestarem a actuação das forças armadas na tarde do dia 28 e na manhã seguinte, em Díli durante confrontos com os participantes numa manifestação organizada por ex-militares.
Alfredo Reinado é o líder dos militares revoltosos que a 24 de Maio lançaram vários ataques às forças armadas timorenses.