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Contra "déspotas e tiranos". Papa inicia visita a Angola a condenar exploração de recursos de África

Contra "déspotas e tiranos". Papa inicia visita a Angola a condenar exploração de recursos de África

“É necessário quebrar esta cadeia de interesses que reduz a realidade e a própria vida a uma mera mercadoria”, clamou Leão XIV a partir de Luanda.

Carlos Santos Neves - RTP /
Luca Zennaro - ANSA via EPA

O Papa deu este sábado início a uma visita de quatro dias a Angola com uma mensagem contra “déspotas e tiranos” que prometem riqueza mas não cumprem. Em Luanda, Leão XIV quis condenar a exploração de recursos naturais de África: “Com muita frequência, as pessoas olharam - e continuam a olhar -para as vossas terras para as explorar”.

“Os déspotas e os tiranos do corpo e do espírito pretendem tornar as almas passivas e os ânimos tristes, propensos à inércia, dóceis e subjugados ao poder”, enunciou.

O sumo pontífice da Igreja Católica discursou no salão protocolar quase uma hora após a chegada da comitiva papal a Luanda, tendo sido recebido pelo presidente da República, João Lourenço. Leão XIV apelou aos angolanos para que trabalhem por uma sociedade livre da “escravidão imposta pela elite, que está repleta de riquezas, mas de falsas alegrias”.Durante a viagem dos Camarões para Angola, o Papa natural de Chicago afirmou aos jornalistas que os comentários sobre “tiranos” que proferiu no início do seu périplo africano não se dirigiam ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.


Em Luanda, Leão XIV apontou então o dedo a “poderosos interesses” que “reivindicam” os recursos naturais angolanos.

“Quantos sofrimentos, quantas mortes, quantas catástrofes sociais e ambientais acarreta esta lógica extrativista?”, questionou.

“Em todas as partes do mundo, vemos como ela, no fundo, alimenta um modelo de desenvolvimento que discrimina e exclui, mas que ainda pretende impor-se como o único possível”, reprovou.
O Continente Africano, acentuou, constitui “uma reserva de alegria e de esperança”, onde jovens e desfavorecidos “ainda sonham, ainda esperam, não se contentam, com o que já existe”. Em seguida, assinalou o que descreveu como “mosaico muito colorido” do país anfitrião, onde se propõe auscultar “aqueles que já escolheram o bem, a justiça, a paz, a tolerância e a reconciliação”.

“Vós sois testemunhas de que a criação é a harmonia na riqueza da diversidade. Sendo que essa harmonia foi violada pela prepotência de alguns, o vosso povo sofreu”, completou o Papa.

O Papa considerou que África tem uma necessidade urgente de superar fenómenos de conflitualidade "que dilaceram o tecido social e político de tantos países, fomentando a pobreza e a exclusão", defendendo que só no encontro e no diálogo "a vida floresce".“Angola pode crescer muito se, em primeiro lugar, vós, que detendes autoridade no país, acreditardes na multiformidade da sua riqueza. Sabei, sim, gerir conflitos, transformando-os em caminhos de ligação”, propugnou o sumo pontífice.

Por seu turno, o presidente angolano apelou ao fim da guerra no Médio Oriente e à abertura do Estreito de Ormuz. Sem se referir diretamente aos Estados Unidos, João Lourenço lamentou que exércitos poderosos atentem contra países soberanos.
"Constatamos, com muita mágoa, o sofrimento dos povos da Palestina, do Líbano e de todos os países do Golfo Pérsico, região produtora e exportadora de petróleo e gás para uma boa parte do mundo e com economias próperias, em franco e acelerado crescimento, a ruir como consequência da regras que lhe impuseram", afirmou o chefe de Estado angolano.

"Apelamos ao fim definitivo da guerra, à abertura do Estreito de Ormuz pela via negocial e ao estabelecimento de uma paz duradoura na região".

c/ agências
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