Mundo
Contraofensiva pró-russa estende a guerra ao sudeste da Ucrânia
Os separatistas pró-russos do leste da Ucrânia abriram uma nova frente de combate 100 quilómetros a sul de Donetsk, apanhando de surpresa as forças governamentais. Tropas rebeldes muito reforçadas e fortemente armadas conquistaram a cidade de Novoazovsk, junto ao mar de Azov, e estão a avançar rapidamente sobre o porto estratégico de Mariupol. Os Estados Unidos e outros países ocidentais acusam a Moscovo de apoiar diretamente a investida dos rebeldes com tropas do seu exército regular. O governo da Ucrânia já pediu à NATO ajuda concreta, face ao que diz ser uma invasão em larga escala.
O governo da Ucrânia acusa a Rússia de apoiar a contraofensiva
separatista com tanques e armamento pesado. Kiev diz que soldados transportados em veículos blindados atravessaram a fronteira próximo do local onde foram detidos dez paraquedistas russos no início da semana.
Um porta-voz militar disse que uma coluna de algumas centenas de veículos, “tanques, blindados e lança-rockets múltiplos Grad” está a avançar na estrada que liga Starobechev a Telmanove, a 20 quilómetros da fronteira russa, e que foi detetada a presença de soldados russos junto à cidade de Amrossivka.
Face ao desenrolar dos acontecimentos o presidente da Ucrânia Petro Poroshenko cancelou uma visita de trabalho à Turquia e convocou uma reunião urgente do Conselho de Defesa e Segurança para decidir os passos a tomar, declarando que forças russas foram “trazidas para a Ucrânia” .
O primeiro-ministro Arseni Iatseniuk pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU face ao que o governo descreve como "uma invasão em larga escala".
Em Mariupol estão entretanto em curso os preparativos de defesa contra a investida dos pró-russos. Uma brigada de forças ucranianas já chegou à cidade de 450.000 habitantes e foram cavadas profundas trincheiras nas zonas limítrofes.

EUA apontam o dedo à Rússia
O embaixador dos EUA em Kiev referiu-se ao assunto na sua conta de twitter.
“Um número cada vez maior de tropas russas está a intervir diretamente nosso combates em território ucraniano”, escreveu Geoffrey Pyatt.
Em Washington a porta-voz do Departamento de Estado disse que uma contraofensiva dirigida pela Rússia “está provavelmente em curso em Donetsk e Lugansk”.
“Evidentemente, isso preocupa-nos profundamente”, disse Jen Psaki.
Washington acusa o Kremlin de desonestidade
O Departamento de Estado acusa a Rússia de estar a ser desonesta com as suas próprias ações, até mesmo no que respeita ao seu próprio povo.
Segundo a porta-voz, as forças russas estão a ser enviadas para pontos que se localizam 48 quilómetros no interior do território ucraniano sem que as famílias sejam informadas de onde eles se encontram.
Psaki citou notícias recentes da própria imprensa russa, que questionam a versão oficial do Kremlin e dão conta de funerais de soldados que morreram na Ucrânia e de militares feridos que estão a ser tratados no hospital de são Petersburgo.

Merkel pede explicações a Putin
Em Berlim, Angela Merkel telefonou a Vladimir Putin para o questionar acerca da alegada incursão de tropas russas em território ucraniano.
“As últimas informações sobre a presença de soldados russos em território ucraniano têm de ser explicadas“, disse o porta-voz da chanceler, Steffen Seibert.
O primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, disse entretanto que a NATO e os serviços secretos polacos têm provas “inequívocas” de que unidades do exército regular russo estão a operar na Ucrânia.
Um diplomata da NATO afirmou quarta-feira que um dos mais recentes e sofisticados sistemas de mísseis antiaéreos russos, o SA-22 ou Pantsir S1, foi detetado no leste da Ucrânia controlado pelos separatistas.
Moscovo continua a desmentir
Perante às evidências cada vez mais avassaladoras, o Kremlin continua a desmentir oficialmente qualquer apoio aos separatistas do leste da Ucrânia.
O mesmo fez um líder rebelde de Donetsk, Denis Pushilin: “Se a Rússia tivesse entrado na guerra já estaríamos em Kiev. Por enquanto passamos sem ajuda do exterior”.
Outro líder rebelde insistiu que quaisquer russos que estejam a lutar ao lado dos separatistas o fazem enquanto voluntários.

“Muitos antigos oficiais de alta patente voluntariaram-se para se juntarem a nós. Estão a lutar ao nosso lado, por considerarem que isso é o seu dever”, disse Alexander Zakarchenko, respondendo ao testemunhos de jornalistas que dizem ter visto muitas pessoas com sotaque de diversas regiões da Rússia envolvidas nos combates.
Mas apesar destes desmentidos os habitantes locais relatam ter visto um grande número de tanques e blindados russos com triângulos ou círculos brancos pintados na blindagem, para esconder o seu número de série. Um cenário que lembra de perto o que se verificou com a invasão russa da Crimeia.
Os analistas também fazem notar que, para chegarem a Novoazovsk, os rebeldes teriam de passar sem ser detetados por mais de 100 quilómetros de território controlado pelo exército ucraniano, o que faz supor que entraram através da fronteira com a Rússia, num ponto próximo da cidade.

Consultora de Putin fala de "invasão"
Em Moscovo, um membro do conselho consultor para os direitos humanos do presidente Vladimir Putin disse entretanto à Reuters que, na sua opinião, a Rússia está a invadir a Ucrânia.
“Quando massas de gente, sob as ordens dos comandantes, com tanques blindados e armas pesadas estão no território de outro país, atravessando a fronteira, considero isso uma invasão”, disse a conselheira Ella Polyakova.
Ucrânia pede "ajuda concreta" à NATO
Face ao ressurgimento dos rebeldes pró-russos e às alegações de intervenção por parte de Moscovo, a Ucrânia pediu ajuda à NATO. O primeiro-ministro ucraniano disse que é tempo de a Aliança Atlântica atuar, quando se reunir na próxima semana para uma cimeira no País de Gales.
“Esperamos que os nossos parceiros ocidentais forneçam ajuda prática e tomem decisões cruciais na cimeira de setembro”, disse Arseny Iatseniuk.

Ligar a Crimeia à Rússia?
A investida rebelde ocorre num momento em que as forças leais a Kiev tinham praticamente isolado os bastiões separatistas de Lugansk e Donetsk, depois de reconquistarem grande parte do território que estava em poder dos rebeldes.
Alguns observadores pensam que a ofensiva no sudoeste e na zona costeira se destina a distrair as forças ucranianas e a aliviar a pressão sobre os enclaves separatistas. No entanto, alguns analistas militares vão mais longe e dizem que o objetivo dos separatistas é conquistar uma faixa de território que ligue a Rússia por terra à Crimeia.

Com a anexação da Crimeia pela Rússia, a Ucrânia já perdeu mais de 750 quilómetros de costa, bem como um dos principais portos navais e os direitos aos recursos minerais no Mar Negro.
Se os separatistas conseguissem dominar uma faixa de território até à Crimeia, isso significaria que Kiev perderia mais 250 quilómetros da sua costa. Um tal cenário daria à Rússia o controle sobre toda a área do mar de Azov, bem como às suas reservas submarinas reservas de petróleo e gás. A Ucrânia ficaria reduzida a 450 quilómetros de costa localizada a ocidente da Crimeia.
Cimeira sem resultados práticos
Estes desenvolvimentos ocorrem um dia depois da cimeira que reuniu Vladimir Putin com o seu homólogo ucraniano em Minsk, capital da Bielorrússia. A maioria dos observadores está de acordo em que o encontro em nada contribuiu para o fim rápido do conflito.

Petro Poroshenko definiu as conversações como “globalmente positivas” e disse que Putin tinha aceitado o seu plano de paz, que inclui uma amnistia para os rebeldes que não forem acusados de crimes graves e a promessa de uma descentralização do poder.
No entanto, Putin insistiu que só Kiev poderia assegurar um cessar-fogo com os separatistas, insistindo que o conflito era “um problema da Ucrânia”, porque a Rússia não é parte do conflito.
Um porta-voz militar disse que uma coluna de algumas centenas de veículos, “tanques, blindados e lança-rockets múltiplos Grad” está a avançar na estrada que liga Starobechev a Telmanove, a 20 quilómetros da fronteira russa, e que foi detetada a presença de soldados russos junto à cidade de Amrossivka.
Face ao desenrolar dos acontecimentos o presidente da Ucrânia Petro Poroshenko cancelou uma visita de trabalho à Turquia e convocou uma reunião urgente do Conselho de Defesa e Segurança para decidir os passos a tomar, declarando que forças russas foram “trazidas para a Ucrânia” .
O primeiro-ministro Arseni Iatseniuk pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU face ao que o governo descreve como "uma invasão em larga escala".
Em Mariupol estão entretanto em curso os preparativos de defesa contra a investida dos pró-russos. Uma brigada de forças ucranianas já chegou à cidade de 450.000 habitantes e foram cavadas profundas trincheiras nas zonas limítrofes.
EUA apontam o dedo à Rússia
O embaixador dos EUA em Kiev referiu-se ao assunto na sua conta de twitter.
“Um número cada vez maior de tropas russas está a intervir diretamente nosso combates em território ucraniano”, escreveu Geoffrey Pyatt.
Em Washington a porta-voz do Departamento de Estado disse que uma contraofensiva dirigida pela Rússia “está provavelmente em curso em Donetsk e Lugansk”.
“Evidentemente, isso preocupa-nos profundamente”, disse Jen Psaki.
Washington acusa o Kremlin de desonestidade
O Departamento de Estado acusa a Rússia de estar a ser desonesta com as suas próprias ações, até mesmo no que respeita ao seu próprio povo.
Segundo a porta-voz, as forças russas estão a ser enviadas para pontos que se localizam 48 quilómetros no interior do território ucraniano sem que as famílias sejam informadas de onde eles se encontram.
Psaki citou notícias recentes da própria imprensa russa, que questionam a versão oficial do Kremlin e dão conta de funerais de soldados que morreram na Ucrânia e de militares feridos que estão a ser tratados no hospital de são Petersburgo.
Merkel pede explicações a Putin
Em Berlim, Angela Merkel telefonou a Vladimir Putin para o questionar acerca da alegada incursão de tropas russas em território ucraniano.
“As últimas informações sobre a presença de soldados russos em território ucraniano têm de ser explicadas“, disse o porta-voz da chanceler, Steffen Seibert.
O primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, disse entretanto que a NATO e os serviços secretos polacos têm provas “inequívocas” de que unidades do exército regular russo estão a operar na Ucrânia.
Um diplomata da NATO afirmou quarta-feira que um dos mais recentes e sofisticados sistemas de mísseis antiaéreos russos, o SA-22 ou Pantsir S1, foi detetado no leste da Ucrânia controlado pelos separatistas.
Moscovo continua a desmentir
Perante às evidências cada vez mais avassaladoras, o Kremlin continua a desmentir oficialmente qualquer apoio aos separatistas do leste da Ucrânia.
O mesmo fez um líder rebelde de Donetsk, Denis Pushilin: “Se a Rússia tivesse entrado na guerra já estaríamos em Kiev. Por enquanto passamos sem ajuda do exterior”.
Outro líder rebelde insistiu que quaisquer russos que estejam a lutar ao lado dos separatistas o fazem enquanto voluntários.
“Muitos antigos oficiais de alta patente voluntariaram-se para se juntarem a nós. Estão a lutar ao nosso lado, por considerarem que isso é o seu dever”, disse Alexander Zakarchenko, respondendo ao testemunhos de jornalistas que dizem ter visto muitas pessoas com sotaque de diversas regiões da Rússia envolvidas nos combates.
Mas apesar destes desmentidos os habitantes locais relatam ter visto um grande número de tanques e blindados russos com triângulos ou círculos brancos pintados na blindagem, para esconder o seu número de série. Um cenário que lembra de perto o que se verificou com a invasão russa da Crimeia.
Os analistas também fazem notar que, para chegarem a Novoazovsk, os rebeldes teriam de passar sem ser detetados por mais de 100 quilómetros de território controlado pelo exército ucraniano, o que faz supor que entraram através da fronteira com a Rússia, num ponto próximo da cidade.
Consultora de Putin fala de "invasão"
Em Moscovo, um membro do conselho consultor para os direitos humanos do presidente Vladimir Putin disse entretanto à Reuters que, na sua opinião, a Rússia está a invadir a Ucrânia.
“Quando massas de gente, sob as ordens dos comandantes, com tanques blindados e armas pesadas estão no território de outro país, atravessando a fronteira, considero isso uma invasão”, disse a conselheira Ella Polyakova.
Ucrânia pede "ajuda concreta" à NATO
Face ao ressurgimento dos rebeldes pró-russos e às alegações de intervenção por parte de Moscovo, a Ucrânia pediu ajuda à NATO. O primeiro-ministro ucraniano disse que é tempo de a Aliança Atlântica atuar, quando se reunir na próxima semana para uma cimeira no País de Gales.
“Esperamos que os nossos parceiros ocidentais forneçam ajuda prática e tomem decisões cruciais na cimeira de setembro”, disse Arseny Iatseniuk.
Ligar a Crimeia à Rússia?
A investida rebelde ocorre num momento em que as forças leais a Kiev tinham praticamente isolado os bastiões separatistas de Lugansk e Donetsk, depois de reconquistarem grande parte do território que estava em poder dos rebeldes.
Alguns observadores pensam que a ofensiva no sudoeste e na zona costeira se destina a distrair as forças ucranianas e a aliviar a pressão sobre os enclaves separatistas. No entanto, alguns analistas militares vão mais longe e dizem que o objetivo dos separatistas é conquistar uma faixa de território que ligue a Rússia por terra à Crimeia.
Com a anexação da Crimeia pela Rússia, a Ucrânia já perdeu mais de 750 quilómetros de costa, bem como um dos principais portos navais e os direitos aos recursos minerais no Mar Negro.
Se os separatistas conseguissem dominar uma faixa de território até à Crimeia, isso significaria que Kiev perderia mais 250 quilómetros da sua costa. Um tal cenário daria à Rússia o controle sobre toda a área do mar de Azov, bem como às suas reservas submarinas reservas de petróleo e gás. A Ucrânia ficaria reduzida a 450 quilómetros de costa localizada a ocidente da Crimeia.
Cimeira sem resultados práticos
Estes desenvolvimentos ocorrem um dia depois da cimeira que reuniu Vladimir Putin com o seu homólogo ucraniano em Minsk, capital da Bielorrússia. A maioria dos observadores está de acordo em que o encontro em nada contribuiu para o fim rápido do conflito.
Petro Poroshenko definiu as conversações como “globalmente positivas” e disse que Putin tinha aceitado o seu plano de paz, que inclui uma amnistia para os rebeldes que não forem acusados de crimes graves e a promessa de uma descentralização do poder.
No entanto, Putin insistiu que só Kiev poderia assegurar um cessar-fogo com os separatistas, insistindo que o conflito era “um problema da Ucrânia”, porque a Rússia não é parte do conflito.