Coreia do Norte critica postura “lamentável” dos EUA nas negociações

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O secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo com Kim Yong-choi, "número dois" do líder norte-coreano. Ao contrário do que aconteceu em abril e em maio, o chefe da diplomacia norte-americana não foi recebido por Kim Jong-un
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A reação surge poucas horas depois do encontro de Mike Pompeo, secretário de Estado norte-americano, com uma delegação de representantes norte-coreanos que desta vez não incluiu Kim Jong-un. Pyongyang acusa Washington de fazer exigências unilaterais e imediatas no dossier da desnuclearização, enquanto a Coreia do Norte prefere um processo "recíproco" e faseado.

Ao contrário do que aconteceu nas duas anteriores visitas de Mike Pompeo a Pyongyang desde a aproximação diplomática entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, Kim Jong-un não recebeu o responsável máximo pela diplomacia norte-americana.

O secretário de Estado norte-americano voltou a solo norte-coreano para negociar o processo de desnuclearização do país, no seguimento da cimeira de Singapura entre Donald Trump e Kim Jong-un, no mês passado.  

Desta vez, o tom dos responsáveis em Pyongyang foi bastante mais crítico, ainda que Mike Pompeo tenha apresentado uma leitura positiva ao fim de quase dois dias de negociações.

António Mateus - RTP

“Esperávamos que os Estados Unidos propusessem medidas construtivas, que ajudassem à construção de confiança segundo o espírito da conferência de líderes. Tínhamos pensado em medidas recíprocas”, refere um comunicado do regime norte-coreano difundido pela agência estatal KCNA.

Os responsáveis norte-coreanos acusam os Estados Unidos de exercerem pressão unilateral sobre o país de forma a forçar o abandono do programa nuclear do país. “A atitude dos Estados Unidos foi sem dúvida lamentável”, refere o comunicado.

“A confiança entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos está a enfrentar uma situação altamente perigosa. A nossa determinação no sentido da desnuclearização, que tem sido firme, pode falhar”, avisa ainda Pyongyang.
"Fizemos progressos"

Em contraste com estas declarações, o lado norte-americano preferiu pintar este encontro com uma visão positiva. O próprio secretário de Estado norte-americano enfatizou os avanços alcançados nas negociações com Kim Yong-choi, considerado o “braço-direito” do líder norte-coreano.

“Estes assuntos são complicados, mas fizemos progressos em quase todas as questões centrais. Em algumas fizemos muitos progressos, noutras ainda há trabalho a fazer”, disse o responsável norte-americano após as conversações dos últimos dois dias, pouco antes do comunicado norte-coreano ter deixado uma imagem bem diferente deste encontro.

Sem revelar pormenores sobre o conteúdo das conversações, Mike Pompeo diz que as duas delegações discutiram a elaboração de um "cronograma" para o desarmamento nuclear da Coreia do Norte.

De facto, esse ponto é agora assumido como uma das prioridades da Administração Trump. O acordo, alcançado a 12 de junho em Singapura após o encontro histórico entre os líderes dos dois países, prevê a desnuclearização da península coreana, mas é parco em detalhes de como irá decorrer esse processo.

Apesar do tom mais ríspido dos norte-coreanos, este novo posicionamento pode ser apenas um aviso. Hillary Mann Leverett, antiga responsável de segurança durante as presidências de George H. W. Bush, Bill Clinton e George W. Bush, olha para estas declarações como uma manutenção de “postura" por parte dos norte-coreanos.

Em declarações à Al Jazeera, a especialista destaca que estas declarações surgem quando faltam poucos dias para a cimeira da NATO em Bruxelas (11 e 12 de julho) e a pouco mais de uma semana do encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin em Helsínquia (16 de julho).

“Os norte-coreanos sabem que o Presidente Trump precisa de vencer. Ele precisa de ter uma boa história para contar sobre a diplomacia de alto risco que decorre com a Coreia do Norte, quando se prepara para negociações delicadas com europeus e russos”, refere.

Depois da visita a Pyongyang – a terceira desde que é secretário de Estado – Mike Pompeo desloca-se agora a Tóquio para um encontro com os ministros dos Negócios Estrangeiros do Japão e da Coreia do Sul.

A Coreia do Norte ameaça recuar nos acordos já firmados com os Estados Unidos acusando a admnistração Trump de assumir uma postura extremamente lamentável" nas negociações.

Pyongyang reagia às posições assumidas por Mike Pompeo durante o dia e meio de conversações que manteve no final da semana com o número dois de Kim Jong-Un.

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