Coreia do Norte é a ameaça imediata aos Estados Unidos da América

Estados Unidos e Reino Unido vão propor na reunião do G7, em Itália, sanções contra altas patentes militares sírias e russas. Os aliados querem forçar o Kremlin a quebrar a ligação ao regime de Bashar Al-Assad.
Perante a promessa de novos ataques norte americanos na Síria, O Irão e a Rússia avisam já que vão responder.
Numa outra frente o regime de Pyongyang alinha o discurso pelo de Vladimir Putin.
Washington pondera estacionar armas nucleares na Coreia do Sul e já fez avançar uma frota as águas junto à Coreia do Norte fazendo subir ainda mais a tensão. Para Felipe Pathé Duarte, especialista em segurança e geoestratégia, a possibilidade de um ataque preventivo dos EUA na Coreia do Norte é muito real. "A Síria não representa qualquer ameaça imediata à segurança dos EUA. A Coreia do Norte, que está a desenvolver um míssil intercontinental capaz de levar uma ogiva nuclear a qualquer parte do mundo, é".

Rui Sá, João Fernando Ramos /
Os responsáveis pela diplomacia dos sete países mais ricos do mundo estão reunidos em Itália.

Nas ruas de Lucca os manifestantes anti globalização marcaram com confrontos um encontro que quer ser de afirmação de poder.

O mote tinha sido dado horas antes numa visita do Secretário de Estado norte americano a Sant'ana. A localidade onde a 12 de agosto de 1944 os soldados das SS executaram 560 dos seus habitantes.

Rex Tillerson fala em agir de forma decidida sempre que civis sejam ameaçados por exércitos de déspotas.

O primeiro ato da nova política - 59 misseis de cruzeiro destruíram, a semana passada, a base aérea de onde o regime sírio alegadamente lançou ataques químicos contra civis. Al-Shayrat, lembre-se, é uma base partilhada pelas forças aéreas síria e russa.

Esta segunda feira, em Itália, o alvo volta a ser a aliança entre Putin e Bashar Al-Assad. Boris Johnson, o ministro dos negócios estrangeiros do Reino Unido garante os G7 vão avançar com sanções dirigidas às altas patentes, quer sírias, quer russas, que estiveram envolvidas nos ataques.

"O ataque na Síria funcionou como uma mensagem mais para a China e para a Coreia do Norte do que para a Rússia. Com este ataque pontual o que Trump fez foi ganhar uma dimensão moral que legitima as suas intervenções na cena internacional", explica no Jornal 2 o analista Felipe Pathé Duarte.

Seis anos de guerra civil fizeram na Síria 400 mil mortos e causaram 6 milhões e meio de refugiados. Muitos deles olham agora para a decisão norte americana de atacar militarmente o regime de Assad e acabam por dizer que continuam a sentir-se abandonados pelos Estados Unidos da América.

"Quando Trump diz que simpatiza com o povo Sírio porque é que não lhe abre as fronteiras", questiona Harmin Mohammed, uma refugiada atualmente a viver num campo gerido pelas Nações Unidas onde as condições de salubridade são precáris, os medicamentos não chegam em quantidade suficiente e as razões alimentares foram cortadas para metade devido à falta de dinheiro.

"Quando não nos queres que tipo de simpatia é que têm por nós?", questiona-se esta curda.

Os Estados Unidos já responderam com a disposição para lançar novos ataques. Os Russos prometem defender-se militarmente. Os norte coreanos, numa tentativa de quebrar o isolamento diplomático, alinham o discurso por Moscovo.

A tensão no paralelo 38 está em máximos de 25 anos. Os Estados Unidos admitem reinstalar armamento nuclear na Coreia do Sul. Seul já veio dizer que a escalada é necessária para garantir a segurança na região, Pequim volta a pedir uma solução negociada e garante que não vai permitir a nuclearização da península.

Este sábado a Coreia do Norte comemora o centésimo quinto aniversário do nascimento do fundador do regime, Kim Il-Sung.

A promessa: testar o seu primeiro míssil intercontinental, e voltar a demonstrar que o país é uma potência nuclear.

Para os EUA esta é uma linha vermelha que Donald Trump não parece disponível para ver quebrada.

"Para todos os efeitos, por mais sanguinário que seja o regime sírio, Bashar Al-Assad é um líder racional. Kim Jong-Il é completamente imprevisível", constata Felipe Pathé Duarte, que no entanto lembra que na Coreia do Norte os norte americanos enfrentam uma ameaça direta e imediata ao seu território. "Pode haver uma ação".

Para garantir uma resposta os Estados Unidos voltam a colocar na zona o Porta-aviões Carl Vinson.

O primeiro grupo de batalha é composto por quase uma dezena de navios, cerca de noventa de aviões, e transporta armas nucleares.

O Japão, que tem uma firme política anti armamento nuclear, já veio a publico afirmar que este é o tempo de garantir uma verdadeira capacidade de dissuasão por parte dos americanos.

Trump fala numa Primavera Americana no momento em que também na frente interna clama vitória... Dá posse ao juiz conservador Neil Gorsuch, como o mais novo membro do Supremo Tribunal de Justiça.
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