Coreia do Norte isenta-se do "mistério" da morte de Warmbier

O regime de Pyongyang negou esta sexta-feira que a morte do norte-americano Otto Warmbier tenha sido causada por tortura sofrida ao longo dos 18 meses de detenção na Coreia do Norte. “Também para nós é um mistério”, afirmou um porta-voz do Ministério norte-coreano dos Negócios Estrangeiros.

Carlos Santos Neves - RTP /
O estudante que morreu dias depois de ter sido libertado por Pyongyang foi “vítima da política de paciência estratégica” do antecessor de Trump, estima o regime Bryan Woolston - Reuters

Otto Warmbier foi “uma vítima da política de paciência estratégica” do antecessor de Donald Trump na Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama. Esta é parte da posição assumida pelo porta-voz norte-coreano, em declarações citadas pela agência oficial KCNA.

O regime de matriz estalinista considera também “infundadas” as acusações norte-americanas que apontam para tortura continuadamente infligida ao estudante de 22 anos nos cárceres da Coreia do Norte.Otto Warmbier fora condenado a 15 anos de trabalhos forçados na Coreia do Norte pelo roubo de um cartaz de propaganda num hotel de Pyongyang.


“O facto de Warmbier ter morrido subitamente em menos de uma semana, depois do regresso aos Estados Unidos com indicadores de um estado normal, também para nós é um mistério”, redarguiu o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte.

“Embora Warmbier fosse um criminoso que cometeu um ato hostil contra a República Popular Democrática da Coreia, aceitámos os repetidos pedidos da atual Administração dos Estados Unidos e, atendendo à sua má saúde, mandámo-lo de volta para casa por razões humanitárias”, acrescentou.

Warmbier fora libertado na semana passada, ao cabo de 18 meses de prisão em solo norte-coreano. O regime começou por alegar que o estudante contraíra botulismo pouco depois do seu julgamento. À chegada aos Estados Unidos foram-lhe diagnosticadas graves lesões cerebrais que o deixaram num estado quase vegetativo. Acabou por morrer na segunda-feira.

A causa da morte do jovem norte-americano, sepultado na quinta-feira, continua assim envolvida em incerteza. Mesmo nos Estados Unidos. Os médicos do hospital da Universidade de Cincinnati não revelam quaisquer detalhes sobre o processo clínico. E a família pediu que não fosse realizada uma autópsia.
“Campanha de difamação”

Em causa está, segundo o guião do regime, uma “campanha difamação” movida por Washington.

“Por que razão o Governo americano, que pretende ter preocupação com o bem-estar dos seus cidadãos, não fez, sob Obama, um único pedido de libertação de Warmbier por motivo humanitário?”, perguntou o mesmo porta-voz de Pyongyang.



Um outro responsável norte-coreano, ligado ao Conselho para a Reconciliação Nacional, rejeitou igualmente as acusações de maus-tratos.

“As nossas agências competentes tratam todos os criminosos com respeito pelas leis nacionais e pelos padrões internacionais”, vincou, para depois sugerir que a Coreia do Sul estaria a procurar retirar dividendos políticos da morte de Otto Warmbier, tendo em vista a libertação de seis prisioneiros sul-coreanos.

c/ agências internacionais
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