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Coreia do Sul. Acordo para indemnizar vítimas de trabalho forçado durante ocupação japonesa
Esta segunda-feira, Seul avançou com um plano para compensar os cidadãos sul-coreanos que foram forçados a trabalhar para empresas japonesas durante a guerra e ocupação entre 1910-1945. A proposta desencadeou protestos devido à ausência da participação direta de Tóquio. Entretanto, Joe Biden já aplaudiu a resolução que pretende melhorar as relações bilaterais.
Os países vizinhos Coreia do Sul e Japão, são atualmente importantes aliados dos Estados Unidos na região asiática e entre si desenvolvem importantes laços económicos mas nem sempre foi assim.
Na primeira metade do séc. XX, Japão ocupou a península coreana entre 1910 e 1945, submetendo pelo menos 780 mil cidadãos a trabalhos forçados para o esforço de guerra. Durante os 35 anos de colonização japonesa milhares de mulheres sul-coreanas foram reduzidas a escravas sexuais pelas tropas japonesas durante a Segunda Guerra Mundial, de acordo com dados das autoridades de Seul.
O ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul, Park Jin acredita que este acordo de compensação oferece a oportunidade de criar "uma nova história para a Coreia e o Japão, indo além dos antagonismos e conflitos, para seguir em frente".
"A cooperação entre a Coreia e o Japão é muito importante em todas as áreas da diplomacia, economia e segurança, face à grave situação internacional atual e à difícil crise global", acrescentou, indiciando preocupações com a Coreia do Norte.
Reação japonesa
O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, acolheu a proposta e afirmou que trabalhará em estreita colaboração com Yoon.
O ministro das Relações Exteriores do Japão, Yoshimasa Hayashi, saudou a resolução sul-coreana, que, segundo ele, ajudará a "restaurar relações saudáveis" entre os dois países. Mas deixou claro que o tratado bilateral assinado em 1965 já tinha permitido a Seul obter indeminizações de 800 milhões de dólares provenientes de empresas japonesas.
O plano de indemnização sul-coreano
Segundo o plano, a Coreia do Sul compensará ex-trabalhadores forçados através de uma fundação pública financiada por empresas do setor privado.
A proposta, apresentada pela primeira vez em janeiro, foi envolta em protestos por não incluírem as contribuições de empresas japonesas, nomeadamente, as condenadas pelos tribunais sul-coreanos para pagar indemnizações.
Reações internas
Os grupos de vítimas e familiares reagiram ao anúncio do governo sul coreano reivindicando que a contribuição financeira e o pedido de desculpas venha diretamente das empresas japonesas envolvidas.
"É como se os laços das vítimas de trabalho forçado fossem dissolvidos em dinheiro corporativo sul-coreano", defendeu Lim Jae-sung, advogado de várias vítimas, numa publicação na rede social Facebook, no domingo.
Durante a conferência de imprensa de Park, manifestantes reuniram-se na rua, em frente do Ministério das Relações Exteriores em Seul, para dizerem: “É uma vitória completa do Japão, que afirmou que não pagará um único iene pela questão do trabalho forçado”, reiterou Lim Jae-sung.
O principal partido Democrata da oposição também não concorda com o plano classificando-o como “diplomacia submissa”.
Saudações norte-americanas: “novo capítulo”
Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, saudou o anúncio sul-coreano: “É um novo capítulo inovador de cooperação e parceria entre dois dos aliados mais próximos dos Estados Unidos” e um “passo crítico para forjar um futuro mais seguro para os povos coreano e japonês, mais seguras e mais prósperas”.
Antony Blinken, secretário de estado norte-americano reiterou o aplauso, e vincou que é o plano “histórico” entre “dois dos aliados mais importantes dos Estados Unidos e inspiramos-nos no trabalho que fizeram para promover suas relações bilaterais”.
We welcome today's historic announcements by the Republic of Korea and Japanese governments regarding the conclusion of their bilateral discussions. The ROK and Japan are two of our most important allies, and we are inspired by their work.
— Secretary Antony Blinken (@SecBlinken) March 6, 2023