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Coreia do Sul e EUA chegam a acordo sobre rascunho para o fim da Guerra da Coreia

Coreia do Sul e EUA chegam a acordo sobre rascunho para o fim da Guerra da Coreia

Seul e Washington chegaram a um acordo sobre o esboço para declarar o fim da guerra da Coreia. Em conferência de imprensa, Chung Eui-yong, ministro dos Negócios Estrangeiros, anunciou que chegou a um entendimento com o homólogo norte-americano, Antony Blinken.

Andreia Martins - RTP /
O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, com o homólogo sul-coreano, Chung Eui-yong, antes de uma reunião em Seul, em março de 2021. Lee Jin-man - Reuters

O documento visa colocar um ponto final definitivo na Guerra da Coreia, iniciada a 25 de junho de 1950, quando as forças norte-coreanas invadiram o Paralelo 38, que atualmente ainda divide a Coreia do Norte e a Coreia do Sul.

Um armistício assinado a 27 de julho de 1953 interrompeu o conflito, mas a guerra nunca terminou oficialmente porque não houve qualquer tratado de paz.

Na altura do conflito naquela península, num contexto de Guerra Fria, os Estados Unidos apoiaram Seul com investimento e envio de militares. Por sua vez, Pyongyang foi apoiada sobretudo pela China e União Soviética.

De acordo com a CNN, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA disse que Washington "não têm intenções hostis" em relação à Coreia do Norte e que os norte-americanos estão preparados para reunir "sem pré-condições".

"Esperamos que a República Democrática Popular da Coreia [Coreia do Norte] responda de forma positiva ao nosso contacto. Continuamos a consultar de perto a República da Coreia, o Japão e outros aliados e parceiros sobre a melhor forma de envolver a RPDC", afirmou ainda o porta-voz.

Em setembro último, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte, Ri Thae Song, considerava que os esforços para declarar o fim da Guerra na Coreia eram “prematuros” devido à “política hostil dos Estados Unidos” em relação a Pyongyang.

Nos últimos meses, após a ausência de resultados substantivos para relançar as negociações sobre o programa nuclear norte-coreano bem como as negociações inter-coreanas, Seul e Pyongyang chegaram nas últimas semanas a um acordo de princípio para declarar o final do conflito, também com o aval de Estados Unidos e China. 
Eleições na Coreia do Sul dentro de poucos meses

No início de dezembro, 35 republicanos dos EUA na Câmara dos Representantes enviaram uma carta ao Conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, em oposição ao fim da Guerra da Coreia.

Especialistas e analistas dos EUA acreditam que o fim da Guerra da Coreia sem a desnuclearização completa da Coreia do Norte poderá levar ao desmantelamento da presença militar dos EUA e de enviados da ONU estacionados na Coreia do Sul. Acreditam que, dessa forma, a segurança da Coreia do Sul ficaria comprometida devido à constante ameaça nuclear e de lançamento de mísseis por parte da Coreia do Norte.


Alguns peritos têm sugerido que a pressa por parte de Seul em alcançar rapidamente uma declaração de fim da guerra advém da vontade de Moon Jae-in, o atual Presidente sul-coreano no poder desde 2017, em deixar um legado histórico.

Em março do próximo ano, o país irá a eleições para escolher um novo Presidente, já que segundo a constituição sul-coreana o chefe de Estado apenas pode cumprir um único mandato de cinco anos.

Esta quinta-feira, o candidato presidencial do Partido Democrático, o mesmo de Moon Jae-in, afirmou que irá procurar o apoio dos Estados Unidos para obter submarinos com propulsão nuclear com o propósito de preparar o país para a ameaça norte-coreana.

Lee Jae-myung, o candidato democrático, citou a importância de um acordo com os Estados Unidos similar ao Aukus, a parceria de segurança trilateral entre Washington, Londres e Camberra, anunciada em setembro, para a construção de submarinos com propulsão nuclear na Austrália com apoio dos aliados.

“É absolutamente necessário termos acesso a esses submarinos. Eles não têm armas em si mesmos, mas essa transferência de tecnologia já está a chegar à Austrália. Definitivamente, podemos convencer os Estados Unidos e temos de o fazer”, afirmou em entrevista à agência Reuters.

Ainda que as declarações possam despertar receios de uma corrida ao armamento nuclear na região, Lee Jae-myung compromete-se, por outro lado, a procurar desbloquear as negociações entre Washington e Pyongyang para avançar na desnuclearização.
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