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COVID-19
Coreia do Sul. Homossexuais temem aumento da discriminação devido a infeções por Covid-19
Meios de comunicação sul-coreanos divulgaram esta semana o caso de um homem infetado pelo novo coronavírus que frequentou bares gay na cidade de Seoul. Agora, membros da comunidade homossexual da Coreia do Sul temem que a discriminação nesse país aumente e há mesmo quem receie despedimentos.
A Coreia do Sul tem sido alvo de elogios devido aos seus esforços de rastreamento de contactos como método para interromper cadeias de contágio e controlar, assim, a pandemia de Covid-19 no país. Neste momento, o número de novas infeções diárias é muito reduzido e traduz-se quase totalmente em casos importados.
No entanto, a privacidade dos indivíduos não está no topo da lista das preocupações do Governo sul-coreano, que publica online o histórico de localização de cada pessoa contagiada, entre outros detalhes sobre os doentes: os espaços de lazer que frequentaram, se usaram máscara nos transportes públicos ou quando saíram para trabalhar.
Esta partilha de informação levou a que os meios de comunicação social sul-coreanos dessem a conhecer o caso de um homem de 31 anos que na quinta-feira testou positivo para a Covid-19. Outras 14 pessoas com quem esteve em contacto também estão infetadas.
De acordo com o jornal Kookmin Ilbo, esse homem tinha frequentado bares gay no distrito de Itaewon, na capital Seoul. Nas redes sociais surgiram depois filmagens destes bares com apelos para que “seja posto um fim a estas coisas repugnantes”.
Receios de despedimentos devido à orientação sexual
Agora, vários membros da comunidade homossexual dizem ter receio de que haja um aumento da discriminação. Apesar de a homossexualidade não ser ilegal na Coreia do Sul, continua a haver uma forte exclusão dessas pessoas, razão pela qual a maioria prefere esconder a sua preferência sexual até dos membros da família e colegas de trabalho.
Ao Guardian, um homem de 35 anos disse ter lido em websites da comunidade homossexual que “existem youtubers a inscrever-se em aplicações para homens gay com o objetivo de os desmascararem publicamente”. “Por isso, eu e todos os que conheço apagámos as fotografias das nossas contas”, contou. As autoridades de saúde sul-coreanas dizem ter uma lista de 1500 pessoas que visitaram bares gay no último fim de semana e estão a pedir a todos os que lá tenham estado que sejam testados à Covid-19.
Outro homem, de 37 anos, contou ao Guardian que visitou três desses bares depois de vários meses em isolamento social. Agora, tem medo de perder o emprego caso seja testado à Covid-19.
“A empresa onde trabalho é tipicamente coreana, o que significa que são muito anti-gay. Já presenciei conversas entre o meu chefe e os meus colegas nas quais disseram que todos os homossexuais deviam ser mortos em câmaras de gás”, revelou.
“Se descobrirem que estive num bar gay, muito provavelmente vão dizer-me para deixar a empresa sob qualquer pretexto ou então vão tornar a minha vida lá num inferno até que não tenha outra escolha senão sair”.
“Estou preocupado com a possibilidade de estar infetado, mas não me posso dar ao luxo de ser testado porque não quero perder o meu emprego. Não me importo muito de ter o vírus, pois eventualmente serei tratado e irei melhorar, mas não sei se suportaria a humilhação social e profissional caso a minha orientação sexual fosse descoberta”, admitiu o homem.
Kwon Joon-wook, vice-diretor da Sede de Medidas de Segurança e Desastres da Coreia do Sul, disse ter pedido aos meios de comunicação social do país que cumpram as orientações quando se referirem a casos de infeção e que protejam as identidades dos indivíduos, apesar de não ter mencionado este caso específico.
No entanto, a privacidade dos indivíduos não está no topo da lista das preocupações do Governo sul-coreano, que publica online o histórico de localização de cada pessoa contagiada, entre outros detalhes sobre os doentes: os espaços de lazer que frequentaram, se usaram máscara nos transportes públicos ou quando saíram para trabalhar.
Esta partilha de informação levou a que os meios de comunicação social sul-coreanos dessem a conhecer o caso de um homem de 31 anos que na quinta-feira testou positivo para a Covid-19. Outras 14 pessoas com quem esteve em contacto também estão infetadas.
De acordo com o jornal Kookmin Ilbo, esse homem tinha frequentado bares gay no distrito de Itaewon, na capital Seoul. Nas redes sociais surgiram depois filmagens destes bares com apelos para que “seja posto um fim a estas coisas repugnantes”.
Receios de despedimentos devido à orientação sexual
Agora, vários membros da comunidade homossexual dizem ter receio de que haja um aumento da discriminação. Apesar de a homossexualidade não ser ilegal na Coreia do Sul, continua a haver uma forte exclusão dessas pessoas, razão pela qual a maioria prefere esconder a sua preferência sexual até dos membros da família e colegas de trabalho.
Ao Guardian, um homem de 35 anos disse ter lido em websites da comunidade homossexual que “existem youtubers a inscrever-se em aplicações para homens gay com o objetivo de os desmascararem publicamente”. “Por isso, eu e todos os que conheço apagámos as fotografias das nossas contas”, contou. As autoridades de saúde sul-coreanas dizem ter uma lista de 1500 pessoas que visitaram bares gay no último fim de semana e estão a pedir a todos os que lá tenham estado que sejam testados à Covid-19.
Outro homem, de 37 anos, contou ao Guardian que visitou três desses bares depois de vários meses em isolamento social. Agora, tem medo de perder o emprego caso seja testado à Covid-19.
“A empresa onde trabalho é tipicamente coreana, o que significa que são muito anti-gay. Já presenciei conversas entre o meu chefe e os meus colegas nas quais disseram que todos os homossexuais deviam ser mortos em câmaras de gás”, revelou.
“Se descobrirem que estive num bar gay, muito provavelmente vão dizer-me para deixar a empresa sob qualquer pretexto ou então vão tornar a minha vida lá num inferno até que não tenha outra escolha senão sair”.
“Estou preocupado com a possibilidade de estar infetado, mas não me posso dar ao luxo de ser testado porque não quero perder o meu emprego. Não me importo muito de ter o vírus, pois eventualmente serei tratado e irei melhorar, mas não sei se suportaria a humilhação social e profissional caso a minha orientação sexual fosse descoberta”, admitiu o homem.
Kwon Joon-wook, vice-diretor da Sede de Medidas de Segurança e Desastres da Coreia do Sul, disse ter pedido aos meios de comunicação social do país que cumpram as orientações quando se referirem a casos de infeção e que protejam as identidades dos indivíduos, apesar de não ter mencionado este caso específico.