Coreia do Sul vai destinar 65 milhões para investigação de células estaminais
Seul, 19 set (Lusa) -- O presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, afirmou hoje que, no próximo ano, serão destinados 65 milhões de euros para a investigação de células estaminais para reavivar o ramo, após as limitações impostas em 2006.
O presidente fez o anúncio através de uma mensagem radiofónica, em que lembrou que há uma década a Coreia do Sul era líder mundial neste tipo de técnica até ao "infeliz" escândalo científico, que ocorreu em 2005, e foi protagonizado por Hwang Woo-suk.
A investigação de células estaminais e de novas técnicas de clonagem tendo em vista a cura de doenças degenerativas sofreu duro revés na Coreia do Sul quando ficou provado que Hwang Woo-suk foi autor de investigações fraudulentas acerca de células estaminais de embriões humanos clonados.
O antigo "pioneiro da clonagem" caiu em desgraça por ter falsificado supostos avanços científicos, foi suspenso do exercício da docência e de investigação, o que levou à desintegração da equipa que liderava na Universidade de Seul e à proibição de investigação com embriões humanos em 2006, que foi sendo levantada gradualmente desde o ano 2009.
Hoje o presidente sul-coreano pediu uma mudança no campo da investigação científica com células estaminais com novos fundos públicos para que esta área se afirme como um "novo motor do crescimento" e se imponha face a outros países, como os Estados Unidos e o Japão, que "criaram regulamentações mais eficientes e expandiram o investimento".
Para o presidente sul-coreano, as técnicas de clonagem de células estaminais e tecidos oferecem esperança de cura a muita gente e da perspetiva de negócio são "uma indústria de alto valor acrescentado", referiu Lee Myung-bak.
Na tentativa de inverter as estritas regulações afetas a este tipo de investigação, o presidente sul-coreano anunciou que serão revistas algumas normas de modo a facilitar os ensaios clínicos e reforçado o papel das instituições públicas com vista a responder aos avanços em termos internacionais.
O Governo pretende também criar um banco nacional de células estaminais para "produzir, preservar e fornecer células para os centros de investigação de maneira estável", bem como reformar normas que limitam a aplicação médica e a comercialização de tratamentos com células estaminais para acelerar a importância do setor biomédico na Coreia do Sul.