Mundo
Corrupção, desemprego e aumentos alimentam violentos protestos em Tunes
O governo desaconselha os portugueses a viajarem para a Tunísia, devido aos confrontos das últimas semanas entre manifestantes e a polícia. Os dados oficiais apontam 21 vítimas, mas não são atualizados desde o início da semana. As organizações não governamentais referem 66 mortes resultantes da carga policial.
A Tunísia vive num cenário de protestos desde meados de dezembro, quando jovens saíram para as ruas contestar os níveis de corrupção, o elevado desemprego e o aumento do custo de vida. Os preços dos alimentos e combustíveis foram aumentados no decorrer do último mês.
“A situação deteriora-se; há muitas regiões que se sublevaram”, relata Sami Aouedi. “Há manifestações de jovens com reivindicações de natureza social mas também exige-se uma democracia que liberte o nosso país”, acrescenta o professor universitário.
As portas da Universidade estão fechadas esta quinta-feira mas professores e estudantes estão no Campus Universitário a contestar a morte de um professor em confrontos.
Durante a tarde de quarta-feira, pela primeira vez em Tunes, os jovens manifestantes atiraram pedras e a polícia respondeu-lhes com gás lacrimogéneo.
Para tentar estancar os episódios de violência, o presidente Zine El Abidine Ben Ali - no poder desde 1987 - demitiu o ministro do Interior, responsável pela polícia, que está a ser acusada de força excessiva sobre os manifestantes.
O presidente nomeou Ahmed Friaa para substituir Rafik Belhaj Kacem, ordenou a libertação de alguns dos jovens detidos e a criação de um grupo de trabalho para investigar a corrupção.
Governo desaconselha viagens para Tunísia
Na sequência desta violência, o Governo português emitiu ontem um alerta, aconselhando “os potenciais viajantes que se tencionam deslocar à Tunísia que deverão evitar os locais onde decorram manifestações, abster-se de participar nas mesmas e não tirar fotos ou filmar".
Este alerta foi agravado e o executivo português "desaconselha os cidadãos portugueses a viajarem para a Tunísia".
O gabinete do secretário de Estado das Comunidades afirma que nenhum dos 120 portugueses residentes naquele país "pediu ajuda para sair da Tunísia e já foram todos contactados pela embaixada".
"Caso seja necessário, será ativado o plano de retirada
da Tunísia destes cidadãos", mas uma eventual activação "vai depender da evolução da situação no terreno", referiu a mesma fonte.
Polícia anti-motim rende Exército
Pela primeira vez em quatro semanas, o Exército foi ontem mobilizado para as ruas da capital e para a localidade de Ettadhamen, nos arredores de Tunes, onde durante os confrontos foi baleado um jovem, refere a AFP.
Não existem outros relatos de violência durante a noite, apesar de vários jovens terem violado o recolher obrigatório e saído para as ruas de vários bairros. “Apesar do recolher obrigatório, as pessoas saíram para protestar e nós não dormimos durante a noite”, contou um morador dos arredores para norte da capital. Ao início da manhã, os bombeiros continuavam a apagar fogos ateados durante a noite.
Esta manhã, o Exército retirou-se do centro de Tunes, em particular a Avenida Habib Bourguiba e a Praça Barcelona, junto ao terminal de comboios. Foi substituído por unidades especiais da polícia anti-motim apoiadas por blindados.
As autoridades tunisinas mantêm o recolher obrigatório por período indeterminado. Foi a primeira vez que o presidente Ben Ali decidiu aplicar esta medida na capital.
“A situação deteriora-se; há muitas regiões que se sublevaram”, relata Sami Aouedi. “Há manifestações de jovens com reivindicações de natureza social mas também exige-se uma democracia que liberte o nosso país”, acrescenta o professor universitário.
As portas da Universidade estão fechadas esta quinta-feira mas professores e estudantes estão no Campus Universitário a contestar a morte de um professor em confrontos.
Durante a tarde de quarta-feira, pela primeira vez em Tunes, os jovens manifestantes atiraram pedras e a polícia respondeu-lhes com gás lacrimogéneo.
Para tentar estancar os episódios de violência, o presidente Zine El Abidine Ben Ali - no poder desde 1987 - demitiu o ministro do Interior, responsável pela polícia, que está a ser acusada de força excessiva sobre os manifestantes.
O presidente nomeou Ahmed Friaa para substituir Rafik Belhaj Kacem, ordenou a libertação de alguns dos jovens detidos e a criação de um grupo de trabalho para investigar a corrupção.
Governo desaconselha viagens para Tunísia
Na sequência desta violência, o Governo português emitiu ontem um alerta, aconselhando “os potenciais viajantes que se tencionam deslocar à Tunísia que deverão evitar os locais onde decorram manifestações, abster-se de participar nas mesmas e não tirar fotos ou filmar".
Este alerta foi agravado e o executivo português "desaconselha os cidadãos portugueses a viajarem para a Tunísia".
O gabinete do secretário de Estado das Comunidades afirma que nenhum dos 120 portugueses residentes naquele país "pediu ajuda para sair da Tunísia e já foram todos contactados pela embaixada".
"Caso seja necessário, será ativado o plano de retirada
da Tunísia destes cidadãos", mas uma eventual activação "vai depender da evolução da situação no terreno", referiu a mesma fonte.
Polícia anti-motim rende Exército
Pela primeira vez em quatro semanas, o Exército foi ontem mobilizado para as ruas da capital e para a localidade de Ettadhamen, nos arredores de Tunes, onde durante os confrontos foi baleado um jovem, refere a AFP.
Não existem outros relatos de violência durante a noite, apesar de vários jovens terem violado o recolher obrigatório e saído para as ruas de vários bairros. “Apesar do recolher obrigatório, as pessoas saíram para protestar e nós não dormimos durante a noite”, contou um morador dos arredores para norte da capital. Ao início da manhã, os bombeiros continuavam a apagar fogos ateados durante a noite.
Esta manhã, o Exército retirou-se do centro de Tunes, em particular a Avenida Habib Bourguiba e a Praça Barcelona, junto ao terminal de comboios. Foi substituído por unidades especiais da polícia anti-motim apoiadas por blindados.
As autoridades tunisinas mantêm o recolher obrigatório por período indeterminado. Foi a primeira vez que o presidente Ben Ali decidiu aplicar esta medida na capital.